"Qualquer lugar, quaisquer pessoa e uma teimosia. Elementos indispensáveis para se rechear uma noite de Halloween. Porém existem algumas brechas que fogem à regra e são antes de arrepiantes,perturbadoras."
Pedir doces era comum em uma cidadezinha americana qualquer, e as tradições eram aquecidas com carinho e dedicação por ali.As crianças se vestiam de monstros e os adultos davam os doces com sorriso enorme quase encaixado no rosto.Tudo extremamente normal.
Uma fatídica noite dessas e um garoto teve sua cabeça decepada sem o menor escrúpulo e jogada no meio da rua, naturalmente.A cabeça ainda estava com o capacete de abóbora e o sangue tingiu a rua e acentuou a cor da fantasia. Ao mesmo tempo podia ver-se uma mulher sendo queimada com gritos longos e dor insuportável só de ser assistida, e três mascarados supervisionavam a cena como se fosse um trabalho rotineiro. Um homem murmurava códigos estranhos em uma língua profana só de ser lançada ao ar livre.O barulho podia ser ouvido se chegasse perto de seu porão,e poderia ver-se pessoas se enforcarem nas árvores atrás da casa.
Sem tomar conhecimento de um futuro destino, um viajante passava por ali ao ver alguns sinais de festejo e decidiu aventurar-se na cidadezinha.Luzes altas e alguns sorrisos alcançaram sua visão e reconfortaram sua cabeça de sua longa viagem,que vai acabar aqui.
Andou pedindo educadamente algumas informações,mas fora ignorado veemente por qualquer um.Depois de um tempo sentia algo estranho por ali.Talvez fossem os mascarados que pareciam segui-lo desde que entrou la.Tentou despista-los e ir embora,e quando conseguiu,não encontrava a rua que dava acesso à saída da cidade.Ela parecia maior do que era na entrada.As luzes começaram a ser apagadas rapidamente e já não via-se mais crianças na rua.Uma sirene, simbólica e que fez o viajante suar e ter o coração disparado.Manteve-se calmo mas a sirene era ensurdecedora e não o permitia organizar as ideias.Começou a andar sem rumo e quis chegar a qualquer lugar que não fosse ali.
Quando estava caminhando,olhava para todos os lados,pois haviam passos impressos em som e vultos leves.O suor começava a ficar mais intenso.
Homens de preto a com máscaras,centenas deles apareciam de não se sabe aonde e paravam no momento em que miravam o viajante. Paravam e encaravam.Começaram a cantar música desordenada em língua estranha em fileiras que permitiam a passagem dele.Olhou um sujeito a ser esfaqueado a multidão se abriu para que visse o cadáver.Era ele.
Virou-se para fugir,mas lá estava um homem com cabeça de bode que disse uma frase confusa que só pode ser ouvido um "voltar".
Acordou do pesadelo em sua cama,e ficou satisfeito.Olhou para o relógio digital e viu um medalhão com um bode.Viu na extensão do quarto um homem mascarado o observando.Caminhou até a janela e atirou-se,iniciando o dia de Halloween."
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
sábado, 28 de setembro de 2013
Voltando Para Casa.
"Os pequenos intervalos das sinapses nervosas que carregam amargura e tristeza se estenderam à minha volta.Tocar o infinito com a ponta refinada do dedo arremata a ganância volúpia de garras e chifres que rosna em língua morta.
Senti tudo nas extensões da minha pele.
E agora volto para casa.
A fachada continua corroída com ação do tempo,e que maravilhoso: Ainda ouço o coro dos mortos.
Gemido de anos de ruína e confinamento do lado de dentro do desespero.
Salão vazio e regido por poeira.
E a pior parte vem agora, enquanto me apoio no canto de uma escada quebrada e torta e chicoteio minha dissipada felicidade usando memórias e saudades.
Hão espíritos a vagar em meus cômodos e sussurrar meus pecados e tormentas íntimas em tons baixos e vozes roucas.
Deitado a horas e cada vez mais afundado em breu de pensamentos e devaneios tangíveis, acendo velas para não ser engolido pelas trevas da manhã.
Perdido em frustrações e apunhalando a esperança, me viro à janela e sinto o calor que salvará minha alma.
É o seu rosto angelical."
Senti tudo nas extensões da minha pele.
E agora volto para casa.
A fachada continua corroída com ação do tempo,e que maravilhoso: Ainda ouço o coro dos mortos.
Gemido de anos de ruína e confinamento do lado de dentro do desespero.
Salão vazio e regido por poeira.
E a pior parte vem agora, enquanto me apoio no canto de uma escada quebrada e torta e chicoteio minha dissipada felicidade usando memórias e saudades.
Hão espíritos a vagar em meus cômodos e sussurrar meus pecados e tormentas íntimas em tons baixos e vozes roucas.
Deitado a horas e cada vez mais afundado em breu de pensamentos e devaneios tangíveis, acendo velas para não ser engolido pelas trevas da manhã.
Perdido em frustrações e apunhalando a esperança, me viro à janela e sinto o calor que salvará minha alma.
É o seu rosto angelical."
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Um Velho Amigo.
"Olá escuridão,meu velho amigo.
Hoje estou a mercê de uma noite árida e sem chuva que pintaria a angústia que se refugia e sufoca todo o peito.O ódio me faz companhia aos socos e calúnias, e esbraveja em voz tão rouca e de refúgio inóspito que me traz segurança. E loucura.
Meu amigo, acomode-se e conte sobre o tempo em que não te vejo.Não é desculpa ter sumido assim, a solidão permanece nas perfeitas condições de sua visita, que me faz muita falta.
Nada de novo por aqui, as pessoas continuam fedendo a perfumes caros e se dilacerando loucamente em sorrisos que insistem em estampar no rosto como assinatura louca de pseudo-boa-educação.
Sobre mim, estou envelhecendo rápido demais e que suas visitas me aliviavam do iminente sofrimento. A morte pode vir a qualquer hora e espero por ela sentado, cortando as comunicações com o mundo lá fora. Os sentimentos se esvanecem como uma vela em seu derradeiro suspiro de vida, e a raiva que sobra, essa pode até sentir-se o gosto na ponta da língua.
Não há calor por aqui, só vozes. Cantam em ritmo leve e penetrante, com seus timbres de soprano tão fortes e duradouros que criam suas imagens singelas e perturbadoras, as quais são sombras que vagam sentindo o cheiro forte da minha alma moribunda.E em um momento vão encontrá-la.
Foi um prazer ter-te aqui mais uma vez, meu velho amigo, volte sempre que desejar sugar uma importância de minha vida.
Hoje estou a mercê de uma noite árida e sem chuva que pintaria a angústia que se refugia e sufoca todo o peito.O ódio me faz companhia aos socos e calúnias, e esbraveja em voz tão rouca e de refúgio inóspito que me traz segurança. E loucura.
Meu amigo, acomode-se e conte sobre o tempo em que não te vejo.Não é desculpa ter sumido assim, a solidão permanece nas perfeitas condições de sua visita, que me faz muita falta.
Nada de novo por aqui, as pessoas continuam fedendo a perfumes caros e se dilacerando loucamente em sorrisos que insistem em estampar no rosto como assinatura louca de pseudo-boa-educação.
Sobre mim, estou envelhecendo rápido demais e que suas visitas me aliviavam do iminente sofrimento. A morte pode vir a qualquer hora e espero por ela sentado, cortando as comunicações com o mundo lá fora. Os sentimentos se esvanecem como uma vela em seu derradeiro suspiro de vida, e a raiva que sobra, essa pode até sentir-se o gosto na ponta da língua.
Não há calor por aqui, só vozes. Cantam em ritmo leve e penetrante, com seus timbres de soprano tão fortes e duradouros que criam suas imagens singelas e perturbadoras, as quais são sombras que vagam sentindo o cheiro forte da minha alma moribunda.E em um momento vão encontrá-la.
Foi um prazer ter-te aqui mais uma vez, meu velho amigo, volte sempre que desejar sugar uma importância de minha vida.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Amargura.
"Amargura é repreender os sonhos
Amargura é olhar nos seus olhos e perceber que não há mais brilho.
Amargura é bradar a raiva sem voz
Amargura é fazer do silêncio, seu maior grito.
Amargura é morrer sem ter vivido
Amargura é engolir em seco o que te machucou e machuca até hoje.
Amargura é desejar uma pessoa distante.
Amargura é obrigar sua ingenuidade, virar ironia.
Amargura é a ironia de um beijo trazido pela dama mais bela do negro capuz,
Que te arrasta pela eternidade sem memórias ou peso.
Amargura é olhar nos seus olhos e perceber que não há mais brilho.
Amargura é bradar a raiva sem voz
Amargura é fazer do silêncio, seu maior grito.
Amargura é morrer sem ter vivido
Amargura é engolir em seco o que te machucou e machuca até hoje.
Amargura é desejar uma pessoa distante.
Amargura é obrigar sua ingenuidade, virar ironia.
Amargura é a ironia de um beijo trazido pela dama mais bela do negro capuz,
Que te arrasta pela eternidade sem memórias ou peso.
Eu não quero conhecer a doçura."
M&E.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Brama Sole
"Simplicidade.
As pesadas indústrias avançam em staccato , rumando ao dinheiro e ao progresso; avançando cada passo por cima de suaves colinas que já serviram de santuário para o sossego de corações irrompidos na tempestade.
Respiração.
Uma brisa do agosto italiano, carregando aromas distintos das árvore e vozes que cantam em tom terno e ritmizam as pulsações das veias.
Futuro.
O toque macio e cauteloso da grama se delonga às espirais dos pensamentos confusos e o silêncio que se instalara no ar torna as sensações mais nítidas, isso faz com que construamos uma singela ponte para o caminhar gracioso do sonho e que se tenha um fervoroso desejo por sol."
As pesadas indústrias avançam em staccato , rumando ao dinheiro e ao progresso; avançando cada passo por cima de suaves colinas que já serviram de santuário para o sossego de corações irrompidos na tempestade.
Respiração.
Uma brisa do agosto italiano, carregando aromas distintos das árvore e vozes que cantam em tom terno e ritmizam as pulsações das veias.
Futuro.
O toque macio e cauteloso da grama se delonga às espirais dos pensamentos confusos e o silêncio que se instalara no ar torna as sensações mais nítidas, isso faz com que construamos uma singela ponte para o caminhar gracioso do sonho e que se tenha um fervoroso desejo por sol."
segunda-feira, 22 de julho de 2013
O Leviatã.
"A Lenda do mar, cantada por muitos séculos em bares e ruas de cidades litorâneas da Irlanda, Inglaterra e até nas terras da América ; é uma história que prende e arrebata a atenção de crianças e ouvintes corriqueiros, mas provoca frio na espinha de qualquer trabalhador de navio pesqueiro e baleeiro, isso porque a lenda já foi vista por esse homens.
Essa lenda é o poderoso Leviatã.
O Leviatã ;dizem ser uma fera demoníaca em forma de baleia,que vira os navios e atrai os horrores do mar para perto dos que sobrevivem à queda, e persegue-os até não poderem mais nadar e se entregarem a uma morte agonizante.
No meio de uma dessas conversas animadas de um certo restaurante humilde em um canto costeiro dos Estados Unidos, um grupo de jovens discutia calorosamente sobre possíveis testemunhas da fera marinha, até que um velho obsoleto no canto escuro do lugar grunhe confusas palavras e só pode ser entendido que ele já tinha visto o Leviatã.
Se a intenção do velho de barba grande e grisalha era arrancar atenção dos rostos corados e vivos dos jovens americanos,de fato obteve êxito,e gravou em sua conquista um sinuoso sorriso de dentes amarelados.
Contou histórias inéditas e ainda mais mirabolantes sobre como escapou por fiapos de seu encontro com a entidade ,e acabou arrancados suspiros boquiabertos dos mais céticos rapazes.
Despediram-se do velho e prometeram voltar no dia seguinte para ouvirem mais.
Tarde da noite, as camas e cobertas já aquecem centenas de pessoas que tiveram dias carregados e atarefados, e os lampiões fazem suas vigílias reconfortantes nas ruas desertas.Todos os habitantes daquela cidades já se retiraram para descansar. Exceto um.
Uma figura curva e sombria se arrastando no meio da noite,se dirigia ao cais.
Estava chovendo, e os barulhos dos pingos chocando-se contra a capa de chuva da figura soavam auspiciosos e alertas.
Um barco foi ocupado na madrugada,e levava um viajante o levou através de algumas sombrias águas,até aportar em uma gruta,com bastante água.
Quando tirou sua capa de chuva, se mostrou o velho contador de histórias do restaurante.
Trazia consigo uma bode velho. Tirou uma marreta do interior do barco e fadou com um só golpe o destino cruel daquele bode velho.
Com o sangue desenhou formas distorcidas no chão e pôs um dos chifres quebrados no centro do desenho.
Não bastou um palpitar do coração,e das água negras da gruta emergiu um ser enorme, em forma de baleia,porém com graves ferimentos infeccionados e infestados de vermes que transbordavam sua pele úmida e pútrida, e nem pareciam incomodá-la...
O Leviatã era ainda mais horrendo que nas histórias,mas não por estar morto-vivo,mas por ser real.
E sua sede de morte seria brevemente saciada, pois um navio pesqueiro da madrugada partia rumo ao seu destino incerto.
E então a baleia mergulhou e sumiu no interior das águas umbrosas.
Essa lenda é o poderoso Leviatã.
O Leviatã ;dizem ser uma fera demoníaca em forma de baleia,que vira os navios e atrai os horrores do mar para perto dos que sobrevivem à queda, e persegue-os até não poderem mais nadar e se entregarem a uma morte agonizante.
No meio de uma dessas conversas animadas de um certo restaurante humilde em um canto costeiro dos Estados Unidos, um grupo de jovens discutia calorosamente sobre possíveis testemunhas da fera marinha, até que um velho obsoleto no canto escuro do lugar grunhe confusas palavras e só pode ser entendido que ele já tinha visto o Leviatã.
Se a intenção do velho de barba grande e grisalha era arrancar atenção dos rostos corados e vivos dos jovens americanos,de fato obteve êxito,e gravou em sua conquista um sinuoso sorriso de dentes amarelados.
Contou histórias inéditas e ainda mais mirabolantes sobre como escapou por fiapos de seu encontro com a entidade ,e acabou arrancados suspiros boquiabertos dos mais céticos rapazes.
Despediram-se do velho e prometeram voltar no dia seguinte para ouvirem mais.
Tarde da noite, as camas e cobertas já aquecem centenas de pessoas que tiveram dias carregados e atarefados, e os lampiões fazem suas vigílias reconfortantes nas ruas desertas.Todos os habitantes daquela cidades já se retiraram para descansar. Exceto um.
Uma figura curva e sombria se arrastando no meio da noite,se dirigia ao cais.
Estava chovendo, e os barulhos dos pingos chocando-se contra a capa de chuva da figura soavam auspiciosos e alertas.
Um barco foi ocupado na madrugada,e levava um viajante o levou através de algumas sombrias águas,até aportar em uma gruta,com bastante água.
Quando tirou sua capa de chuva, se mostrou o velho contador de histórias do restaurante.
Trazia consigo uma bode velho. Tirou uma marreta do interior do barco e fadou com um só golpe o destino cruel daquele bode velho.
Com o sangue desenhou formas distorcidas no chão e pôs um dos chifres quebrados no centro do desenho.
Não bastou um palpitar do coração,e das água negras da gruta emergiu um ser enorme, em forma de baleia,porém com graves ferimentos infeccionados e infestados de vermes que transbordavam sua pele úmida e pútrida, e nem pareciam incomodá-la...
O Leviatã era ainda mais horrendo que nas histórias,mas não por estar morto-vivo,mas por ser real.
E sua sede de morte seria brevemente saciada, pois um navio pesqueiro da madrugada partia rumo ao seu destino incerto.
E então a baleia mergulhou e sumiu no interior das águas umbrosas.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Pós-Vida.
"Esse silêncio é quase provocante...Ouço que chama por meu nome.
Minhas memórias estão fracamente vagas e sinto que os ares da mudança não sopram em harmonia.
Este lugar é extenso e vazio; caminho discretamente pela campina congelada, andando em círculos retos.
Só não sei como vim parar aqui.
Já ficou à noite por aqui, e com isso, apareceram vultos disforme de meus pesadelos. O tormento não chega a enlouquecer de vez, e seja como for, sinto-o aos poucos...
Fiz uma fogueira e sentei-me em um lugar qualquer que não consigo detalhar bem,pois o implacável manto do escuro cobre minha visão à frente e aos lados, e de que adiantar dizer que enxergo, se estou fadado às trevas ? Vou tentar dormir.
Acordo com os olhos pesados de tanto sono mal dormido devido ao terreno duro em que me acomodei. Parece que o dia amanhece sem sol por aqui, o que explicaria o frio e a luminosidade restrita.
Ando mais um pouco e sinto terrível fome, e quase como em resposta vejo uma árvore,com uma só maçã. Pego-a e quando dou a primeira voraz mordida, expurgo com violento nojo a fruta de minha boca; deveras justo,estava cheio de vermes. Mas o paladar não se engana como os olhos,e o sabor dos vermes parasitas é tão delicioso quanto a fruta, e então apanho-na do chão, e de joelhos mesmo devoro o repugnante banquete ,como um animal.
Mais alguns passos preguiçoso de caminhada e meus pensamento apertam-se em árdua luxúria. Me lembro de minha amada Vitória e pergunto os troncos das árvores o que acontecera com ela,ou sonhava que ela estava ali. E algo estava,mas não era ela. Era uma mulher grotescamente deformada, como a união fracassada de dezenas de partes humanas. Eu amei-a de vista.
Ela grunhia como um moribundo,e seu único olho sem pálpebras me fitava vagamente,e eu ia enlouquecendo de desejo viril pela criatura.Até que não resisti e fui a seu encontro,acariciei-a,afaguei como se fosse minha esposa.
Ah, minha belíssima esposa Vitória , meiga , estupendamente linda, com uma tez caramelada de dar inveja às mais abastadas Rainhas da Europa...E que dualidade,ver meu braço ser literalmente devorado pela fera que estava acariciando.
O sangue escorria quente e lento, e lá vinha a dor.
Que minha alma começava a sentir o efeitos do inferno, e a angústia de ver que só passara dois minutos no pior de todos os lugares, mas agora estava em casa,no chão.
Havia sangue por todo o chão e meu braço de fato fora arrancado.Estava sujo e arranhado,com um gosto de vermes na boca.
Vitória estava ajoelhada ao meu lado,horrorizada e em choque.
E este é uma pequena ponta do que me espera na morte."
Minhas memórias estão fracamente vagas e sinto que os ares da mudança não sopram em harmonia.
Este lugar é extenso e vazio; caminho discretamente pela campina congelada, andando em círculos retos.
Só não sei como vim parar aqui.
Já ficou à noite por aqui, e com isso, apareceram vultos disforme de meus pesadelos. O tormento não chega a enlouquecer de vez, e seja como for, sinto-o aos poucos...
Fiz uma fogueira e sentei-me em um lugar qualquer que não consigo detalhar bem,pois o implacável manto do escuro cobre minha visão à frente e aos lados, e de que adiantar dizer que enxergo, se estou fadado às trevas ? Vou tentar dormir.
Acordo com os olhos pesados de tanto sono mal dormido devido ao terreno duro em que me acomodei. Parece que o dia amanhece sem sol por aqui, o que explicaria o frio e a luminosidade restrita.
Ando mais um pouco e sinto terrível fome, e quase como em resposta vejo uma árvore,com uma só maçã. Pego-a e quando dou a primeira voraz mordida, expurgo com violento nojo a fruta de minha boca; deveras justo,estava cheio de vermes. Mas o paladar não se engana como os olhos,e o sabor dos vermes parasitas é tão delicioso quanto a fruta, e então apanho-na do chão, e de joelhos mesmo devoro o repugnante banquete ,como um animal.
Mais alguns passos preguiçoso de caminhada e meus pensamento apertam-se em árdua luxúria. Me lembro de minha amada Vitória e pergunto os troncos das árvores o que acontecera com ela,ou sonhava que ela estava ali. E algo estava,mas não era ela. Era uma mulher grotescamente deformada, como a união fracassada de dezenas de partes humanas. Eu amei-a de vista.
Ela grunhia como um moribundo,e seu único olho sem pálpebras me fitava vagamente,e eu ia enlouquecendo de desejo viril pela criatura.Até que não resisti e fui a seu encontro,acariciei-a,afaguei como se fosse minha esposa.
Ah, minha belíssima esposa Vitória , meiga , estupendamente linda, com uma tez caramelada de dar inveja às mais abastadas Rainhas da Europa...E que dualidade,ver meu braço ser literalmente devorado pela fera que estava acariciando.
O sangue escorria quente e lento, e lá vinha a dor.
Que minha alma começava a sentir o efeitos do inferno, e a angústia de ver que só passara dois minutos no pior de todos os lugares, mas agora estava em casa,no chão.
Havia sangue por todo o chão e meu braço de fato fora arrancado.Estava sujo e arranhado,com um gosto de vermes na boca.
Vitória estava ajoelhada ao meu lado,horrorizada e em choque.
E este é uma pequena ponta do que me espera na morte."
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