"O mundo está lá fora,
Pronto para ser consumido.
Deixo o vil prazer às carnes mais ansiosas;
Que fazem luzes e barulhos sem pudor,
Como se a própria natureza da escuridão
Fosse cega e surda.
Os menores deleites são os mais imprescindíveis,
Na noite de escuro eterno;
Em que as chamas da vela iluminam o espírito
Através do próprio corpo, como no papel;
E destacam na escuridão virgem da parede
O espírito de todas as coisas,
Que é sombrio tanto de dia como de noite.
Atiro esse anel de ouro junto à tempestade
Que enfurece noite adentro.
Molha minha janela
Com chuva
E minha cama
Com sangue.
O fogo noturno apaga.
A lua mudou de posição como faz o sol;
Então por ela marco as horas regressivas
Que a noite noite me faz aguardar
Ante a terrível sentença de um dia luminoso.
As brasas remanescentes da lareira
Têm um brilho tímido,
Ao que leva a crer que,
Quanto mais forte um fogo na escuridão
Menos luz ele parece ser;
Apenas uma janela ao inferno."
sexta-feira, 13 de março de 2015
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Animatrônicos.
"Meu nome não importa, muito menos quem sou. Mas sou homem, tô' na meia idade...E apavorado.
Estou dentro do quarto do pânico da minha casa. O que quer que esteja lá fora está tentando entrar aqui e me pegar. Estava atrás do meu filho também, mas ele encontrou abrigo nos exaustores da casa.
Um berro estridente e por uma das câmeras de segurança vejo sangue espirrar e depois escorrer pelo exaustor de um dos corredores. Pegaram meu filho, e fui muito covarde para tê-lo trazido aqui. Mas estou seguro; isso que importa. Posso começar vida nova, ter filhos novos, casa nova...Esquecer isso...
Por uma das câmeras de segurança vejo o pirata Sheldon esfregar sua cara de plástico carbonizado e ferro oxidado na porta do quarto do pânico.Ele para automaticamente, se vira e dá a volta no corredor.
As coisas fugiram ao controle...Eram simples bonecos animatrônicos de uma lanchonete antiga. O Max os amou à primeira vista...Ele dizia que...Sentia...Sentia uma ligação com os bichos. Essa ligação se rompeu quando essas coisas o destriparam.
Sheldon, o pirata; Tim, o palhaço e Jude...A coisa com mínimas feições femininas.
Os três diabos estão lá fora, procurando uma maneira de entrar.Eles mal me viram, mas sabem que estou aqui. Me sentem, mas não pelo medo; me sentem pelo instinto de assassino.
Jude...Está olhando diretamente para a câmera da cozinha. Olhando para o vazio de uma câmera filmadora. As máquinas parecem conversar uma espécie de linguagem não verbal entre si; mas além disso, o sentido demoníaco que faz os animatrônicos andarem, faz Jude me ver sem ver. Faz os bonecos caminharem sem vida. Faz minha cabeça se lembrar que Deus me abandonou à minha sorte, contra o que quer que esteja fazendo esse palhaço insano ficar observando a cabeça mutilada de meu filho...
Sheldon achou a caixa de força da casa.
Sheldon mordeu os fios.
A luz da casa caiu, porém o quarto continuou aceso, e um aviso de noventa e nove por cento de bateria restante surgiu no ecrã do sistema de câmeras.
Noventa e nove por cento de energia restante.
Quando chegar a zero, irei conhecer o inferno; escuro e frio.
Os barulhos de eletricidade são fortes através dos circuitos do gerador interno. Desligo a luz interna para administrar a energia restante afim de adiar o que está por vir.
Vinte e quatro por cento.
Tim e Jude vagam pela casa sem objetivo.Eles não se esgotam.Os interruptores dos bonecos devem ter o modo "matar".
Vinte por cento.
Não vejo Sheldon.
A câmera do Hall de visitas foi desligada.
Doze por cento.
Há um machado de incêndio.
Meu suor escorre pela testa e cria nodas na minha blusa.
É como uma visão de onde o sangue vai escorrer.
Cinco por cento.
Havia me preparado para lutar, quando a energia findasse.
Derrubei o machado quando olhei para a câmera do corredor.
Havia uma marca caótica, porém inteligível na parede, feita com sangue.
Um emblema que registrava algo nessa casa. Algo tomava conta desses bonecos.
E também do corpo do meu filho, que rastejava moribundo; sem sangue nem alma, apenas com o olhar vazio e fixo para a câmera de segurança.
Zero por cento.
..."
Todos os jornais passavam a mesma bizarra e instigante manchete : Pai é acusado de assassinar brutalmente o filho e culpa os bonecos animatrônicos.
O pai já fora diagnosticado por surtos psicóticos, e será levado a tribunal ainda esta semana.
A casa cercada pela polícia e a cena do crime manchada de sangue. O sistema elétrico da casa estava em ruínas, com sinais de golpes de machado pelas canaletas, fios e quadro elétrico.
Na prateleira do quarto do falecido garoto estavam seus bonecos animatrônicos.
Tim, o palhaço.
Jude, a coisa.
Na poltrona da sala estava Sheldon, o pirata.
O perito veio buscá-lo para análise, quando tropeçou em um palhaço.
Jude observava tudo do quarto do pânico."
Estou dentro do quarto do pânico da minha casa. O que quer que esteja lá fora está tentando entrar aqui e me pegar. Estava atrás do meu filho também, mas ele encontrou abrigo nos exaustores da casa.
Um berro estridente e por uma das câmeras de segurança vejo sangue espirrar e depois escorrer pelo exaustor de um dos corredores. Pegaram meu filho, e fui muito covarde para tê-lo trazido aqui. Mas estou seguro; isso que importa. Posso começar vida nova, ter filhos novos, casa nova...Esquecer isso...
Por uma das câmeras de segurança vejo o pirata Sheldon esfregar sua cara de plástico carbonizado e ferro oxidado na porta do quarto do pânico.Ele para automaticamente, se vira e dá a volta no corredor.
As coisas fugiram ao controle...Eram simples bonecos animatrônicos de uma lanchonete antiga. O Max os amou à primeira vista...Ele dizia que...Sentia...Sentia uma ligação com os bichos. Essa ligação se rompeu quando essas coisas o destriparam.
Sheldon, o pirata; Tim, o palhaço e Jude...A coisa com mínimas feições femininas.
Os três diabos estão lá fora, procurando uma maneira de entrar.Eles mal me viram, mas sabem que estou aqui. Me sentem, mas não pelo medo; me sentem pelo instinto de assassino.
Jude...Está olhando diretamente para a câmera da cozinha. Olhando para o vazio de uma câmera filmadora. As máquinas parecem conversar uma espécie de linguagem não verbal entre si; mas além disso, o sentido demoníaco que faz os animatrônicos andarem, faz Jude me ver sem ver. Faz os bonecos caminharem sem vida. Faz minha cabeça se lembrar que Deus me abandonou à minha sorte, contra o que quer que esteja fazendo esse palhaço insano ficar observando a cabeça mutilada de meu filho...
Sheldon achou a caixa de força da casa.
Sheldon mordeu os fios.
A luz da casa caiu, porém o quarto continuou aceso, e um aviso de noventa e nove por cento de bateria restante surgiu no ecrã do sistema de câmeras.
Noventa e nove por cento de energia restante.
Quando chegar a zero, irei conhecer o inferno; escuro e frio.
Os barulhos de eletricidade são fortes através dos circuitos do gerador interno. Desligo a luz interna para administrar a energia restante afim de adiar o que está por vir.
Vinte e quatro por cento.
Tim e Jude vagam pela casa sem objetivo.Eles não se esgotam.Os interruptores dos bonecos devem ter o modo "matar".
Vinte por cento.
Não vejo Sheldon.
A câmera do Hall de visitas foi desligada.
Doze por cento.
Há um machado de incêndio.
Meu suor escorre pela testa e cria nodas na minha blusa.
É como uma visão de onde o sangue vai escorrer.
Cinco por cento.
Havia me preparado para lutar, quando a energia findasse.
Derrubei o machado quando olhei para a câmera do corredor.
Havia uma marca caótica, porém inteligível na parede, feita com sangue.
Um emblema que registrava algo nessa casa. Algo tomava conta desses bonecos.
E também do corpo do meu filho, que rastejava moribundo; sem sangue nem alma, apenas com o olhar vazio e fixo para a câmera de segurança.
Zero por cento.
..."
Todos os jornais passavam a mesma bizarra e instigante manchete : Pai é acusado de assassinar brutalmente o filho e culpa os bonecos animatrônicos.
O pai já fora diagnosticado por surtos psicóticos, e será levado a tribunal ainda esta semana.
A casa cercada pela polícia e a cena do crime manchada de sangue. O sistema elétrico da casa estava em ruínas, com sinais de golpes de machado pelas canaletas, fios e quadro elétrico.
Na prateleira do quarto do falecido garoto estavam seus bonecos animatrônicos.
Tim, o palhaço.
Jude, a coisa.
Na poltrona da sala estava Sheldon, o pirata.
O perito veio buscá-lo para análise, quando tropeçou em um palhaço.
Jude observava tudo do quarto do pânico."
domingo, 21 de dezembro de 2014
A Cidade Das Brumas.
"A palavra faz a magia.
Era a inscrição gravada em carvalho polido, que recebia os olhares aos portões da cidade das brumas. Apenas olhares, pois em sã consciência, ninguém desejaria se aventurar pela cidade proibida de atmosfera eternamente soturna. Em limites bem definidos com a Cidade das Brumas, estava Isolatua; uma vila pacífica na encosta de uma serra, aonde só os mais suaves ventos cantavam. Entretanto, se estiver na praça central de Isolatua e olhar de costas ao monólito que enfeita o meio da vila, verá os portões eternamente entreabertos da cidade proibida. Então perceberá que os ventos calmos que sopram a paz na vila são na verdade ventos tristes com vozes de uma língua antiga que trazem apenas a paz da morte.
Não há uma cerca entre a cidade proibida e a vila, que ficam a poucas braçadas de distância uma da outra, tendo nesse entrecaminho apenas guardas imóveis com lustrosas armaduras de aço polido. Quando há iminência de ameaça, sacam as longas espadas e posicionam-se em linha perfeita, sem a mínima hesitação; totalmente automáticos. Contrastam bem com a vila rústica, e de pessoas simples e mineradores de carvão.Nunca souberam quem eram esses guardas nem de onde vieram. Mas sempre que um sumia, outro aparecia em seu lugar instantaneamente. Isso mesmo, sumia, pois não haviam rastros de sangue ou corpos; nem mesmo alguma peça da armadura. Simplesmente desaparecia.
A cidade das brumas possuía cinco setores : A velha floresta, aonde dizem morar seres vis e de almas podres; O cais, uma construção abandonada voltada para o lago de água turva e parada; O pântano, escondido na margem da floresta; a área da Grande Casa uma das únicas construções que ainda está intacta; e a mais incômoda aos olhos : A Torre do Templo, que não é exageradamente grande, mas sabe-se que abriga o necromante fundador e único morador daquela cidade inóspita. O dito na placa da entrada é única frase compreensível que por ele já fora dita, o resto são murmúrios aterrorizantes em três tempos, que podem ser ouvidos a larga distância.
UTZIPREB ZENIO NEZTLIH !
Corvos voaram de dentro da cidade das brumas e se espalharam pelo céu. Os mais curiosos saíram da cama para ver se havia novidade pós-grito do necromante, porém se decepcionaram ao se deparararem com o mesmo estranho evento anual. No início da semana de Natal, todo ano o necromante grita ao vento murmúrios variados ou incompreensíveis à distância ou até mesmo de perto. Os arrepios percorrem em uníssono as espinhas de todas as crianças da cidade quando o grito é emanado. Os curiosos voltaram para suas camas quentes, pois amanhã começavam os preparativos da comunidade para o Natal. Se tivessem ficado mais, veriam o clarão verde emanar ligeiramente da velha floresta.
O dia seguinte começou ensolarado com bastante nuvens para deixar o clima agradável e ameno. o fervor dos vilões com os preparativos de Natal era alto e naturalmente caótico, porém pintava de um vermelho natalino e alegre a pequena Isolatua. O aconchego se estendeu laborioso até o fim do dia, e das casas era possível sentir um...
OKEZT' AREDNEM IZIB !
O furor foi interrompido pelo grito do necromante. Toda a vila em silêncio observava a torre em silêncio, enquanto o crepúsculo tentava dizer algo timidamente. Quietamente, a praça da vila e suas ruas adjacentes foram se esvaziando. Havia algo diferente naquele ano.
De noite chovia forte, e os pingos ariscos ricocheteavam nas armaduras dos imóveis guardiões da cidade. A areia da orla ficava densa.Um trovão cai. Alguns segundos após, as nuvens de chuva se agrupam acima do centro da velha floresta.
Os dias seguintes seguiram-se com o devido furor e alegria do qual começara a semana; e no fim de tarde da véspera de Natal, todos iam à igreja orar,agradecer e fazer seus votos de Natal ao Cristo. A união da cantata em latim era aconchegante e inspirava as histórias bíblicas nos corações dos fiéis. A igreja oferecia ceia farta e música constante, e os risos e conversas altas recheavam de vida o ambiente.
Madrugada de Natal, a vila estava quieta e escura, e os ventos sopravam o mesmo tom de sempre. Pararam por um instante. A figura do necromante cruza o potão da Cidade das Brumas e caminha lento em direção à vila. Os guardiões o acompanharam severamente apenas com olhares, e quando ele sai do campo de visão destes, voltaram sua atenção ao vácuo do portão da cidade das brumas.
O rosto do necromante era demasiado branco e seus olhos com pupilas sempre dilatadas olhavam fixo para frente. Andava sempre com a boca aberta e tinha o maxilar alargado, o que lhe cedia um aspecto monstruoso.Andava manco, como se estivesse com uma das pernas quebradas, e trajava uma túnica roxa com a impressão em tinta preta de uma mão espalmada no peito.
Chegou ao monólito de pedra no centro da vila e tocou-o com sua fina mão esquerda. O monólito emitiu luz branca de seu centro e apagou. Instantes após, três crianças saíam de suas casas em direção ao necromante, num efeito puramente mesmérico. O necromante e as crianças adentraram caminharam em direção ao portão da cidade das brumas.
Duas moças e um rapaz. Hipnotizados e com os olhos branco-esfumaçados caminhavam atrás do misterioso necromante pela densa velha floresta. Uma das moças acorda inexplicavelmente do transe e antes de gritar tapa sua boca e sufoca sua morte, por mais alguns instantes. Ela sabia o que estava acontecendo. Ela foi escolhida.
Seguiu o grupo sem desfazer a postura,mas olhava pros lados. Via vultos mancando, dezenas deles. O necromante os arrancava de seu sono para vagarem moribundos pela cidade de denso nevoeiro. Eles passavam por ela e nada faziam além de olhar profundamente em seus olhos. Isso dava desespero à moça.
Uma voz rouca rasgou o ar como uma seta venenosa : -"Não os ponho de pé para impedir que entrem. Os invoco para impedir que ele saia." Era a voz do necromante, que fez gelado de medo o coração da moça. Ele continuou : -"Eu sei que acordastes, sacrifício, você é a Utarekua." As outras crianças viraram suas cabeças com olhos brancos para trás e encararam com ar vazio a Utarekua.
Chegaram ao templo com a torre, e o salão principal estava todo preparado e iluminado para uma cerimônia. Doze sombras humanoides com diferentes máscaras, como as que viu nas paredes das ruínas de pedra na floresta. As sombras estavam de costas para um sarcófago na horizontal, e mais atrás um altar com um livro aberto. Na parede de trás havia o desenho de uma pessoa pequena louvando o que seria uma enorme sombra daquelas, com uma máscara de aspecto demoníaco com uma espada. Embaixo haviam três tubulações que levavam a sulcos no chão, que iam em direção ao sarcófago.
As duas crianças se posicionaram de joelhos em frente aos tubos e abaixaram as cabeças. As sombras voaram vorazes e devoraram as crianças vivas, que não davam sinal de dor.O Sangue escorria pelos sulcos e caía no sarcófago, e então um berro sem sentido quebrou o silêncio do lugar. Dos corpos ao chão saíram as almas das crianças e voaram rápido em direção à boca do necromante, que as engoliu.
As sombras fazem um corredor entre o sarcófago e a Utarekua. A tampa do sarcófago é gentilmente empurrada e de lá sai um ser com aspecto humano, porém tomado pela escuridão em um preto máximo, como se fosse uma das sombras,entretanto sólida, e embebido em sangue. Possuía a máscara diabólica do registro na parede do templo. Pegou sua espada no sarcófago e veio lentamente na direção da moça, que estava quase em pânico, porém sabia mais do que nunca qual era seu chamado. Seu coração parou de palpitar forte e levantou a cabeça.
Alatipak era o nome da divindade que vinha marchando lentamente, com a espada em punho. Era o Deus da morte e caminhava pelo mundo dos vivos para estender sua natureza.
A voz veio do outro lado do templo : -"Se gritares com a criatura, ela recua. Te mata e depois volta ao sono. Você foi escolhida para ser a necromante que agora guarda esta cidade amaldiçoada. Cumpre teu dever e salva nosso povo."
A criatura possuía aparência horrível.
Tomada pelo medo, Utarekua renunciou seu dever e correu. O necromante antigo gritou palavras velhas, porém não possuía mais seu poder, então não pôde descansar em paz. Fora do templo, na velha floresta, ouviu os gritos desesperados de uma alma que estava fadada à tormenta eterna, e agora, as sombras eram treze.
Alatipak destruiu a porta do templo e rumou em direção á vila. O Natal fez com que todos descansassem em suas casas, despreocupados.
A morte era livre para caminhar mais uma vez."
Era a inscrição gravada em carvalho polido, que recebia os olhares aos portões da cidade das brumas. Apenas olhares, pois em sã consciência, ninguém desejaria se aventurar pela cidade proibida de atmosfera eternamente soturna. Em limites bem definidos com a Cidade das Brumas, estava Isolatua; uma vila pacífica na encosta de uma serra, aonde só os mais suaves ventos cantavam. Entretanto, se estiver na praça central de Isolatua e olhar de costas ao monólito que enfeita o meio da vila, verá os portões eternamente entreabertos da cidade proibida. Então perceberá que os ventos calmos que sopram a paz na vila são na verdade ventos tristes com vozes de uma língua antiga que trazem apenas a paz da morte.
Não há uma cerca entre a cidade proibida e a vila, que ficam a poucas braçadas de distância uma da outra, tendo nesse entrecaminho apenas guardas imóveis com lustrosas armaduras de aço polido. Quando há iminência de ameaça, sacam as longas espadas e posicionam-se em linha perfeita, sem a mínima hesitação; totalmente automáticos. Contrastam bem com a vila rústica, e de pessoas simples e mineradores de carvão.Nunca souberam quem eram esses guardas nem de onde vieram. Mas sempre que um sumia, outro aparecia em seu lugar instantaneamente. Isso mesmo, sumia, pois não haviam rastros de sangue ou corpos; nem mesmo alguma peça da armadura. Simplesmente desaparecia.
A cidade das brumas possuía cinco setores : A velha floresta, aonde dizem morar seres vis e de almas podres; O cais, uma construção abandonada voltada para o lago de água turva e parada; O pântano, escondido na margem da floresta; a área da Grande Casa uma das únicas construções que ainda está intacta; e a mais incômoda aos olhos : A Torre do Templo, que não é exageradamente grande, mas sabe-se que abriga o necromante fundador e único morador daquela cidade inóspita. O dito na placa da entrada é única frase compreensível que por ele já fora dita, o resto são murmúrios aterrorizantes em três tempos, que podem ser ouvidos a larga distância.
UTZIPREB ZENIO NEZTLIH !
Corvos voaram de dentro da cidade das brumas e se espalharam pelo céu. Os mais curiosos saíram da cama para ver se havia novidade pós-grito do necromante, porém se decepcionaram ao se deparararem com o mesmo estranho evento anual. No início da semana de Natal, todo ano o necromante grita ao vento murmúrios variados ou incompreensíveis à distância ou até mesmo de perto. Os arrepios percorrem em uníssono as espinhas de todas as crianças da cidade quando o grito é emanado. Os curiosos voltaram para suas camas quentes, pois amanhã começavam os preparativos da comunidade para o Natal. Se tivessem ficado mais, veriam o clarão verde emanar ligeiramente da velha floresta.
O dia seguinte começou ensolarado com bastante nuvens para deixar o clima agradável e ameno. o fervor dos vilões com os preparativos de Natal era alto e naturalmente caótico, porém pintava de um vermelho natalino e alegre a pequena Isolatua. O aconchego se estendeu laborioso até o fim do dia, e das casas era possível sentir um...
OKEZT' AREDNEM IZIB !
O furor foi interrompido pelo grito do necromante. Toda a vila em silêncio observava a torre em silêncio, enquanto o crepúsculo tentava dizer algo timidamente. Quietamente, a praça da vila e suas ruas adjacentes foram se esvaziando. Havia algo diferente naquele ano.
De noite chovia forte, e os pingos ariscos ricocheteavam nas armaduras dos imóveis guardiões da cidade. A areia da orla ficava densa.Um trovão cai. Alguns segundos após, as nuvens de chuva se agrupam acima do centro da velha floresta.
Os dias seguintes seguiram-se com o devido furor e alegria do qual começara a semana; e no fim de tarde da véspera de Natal, todos iam à igreja orar,agradecer e fazer seus votos de Natal ao Cristo. A união da cantata em latim era aconchegante e inspirava as histórias bíblicas nos corações dos fiéis. A igreja oferecia ceia farta e música constante, e os risos e conversas altas recheavam de vida o ambiente.
Madrugada de Natal, a vila estava quieta e escura, e os ventos sopravam o mesmo tom de sempre. Pararam por um instante. A figura do necromante cruza o potão da Cidade das Brumas e caminha lento em direção à vila. Os guardiões o acompanharam severamente apenas com olhares, e quando ele sai do campo de visão destes, voltaram sua atenção ao vácuo do portão da cidade das brumas.
O rosto do necromante era demasiado branco e seus olhos com pupilas sempre dilatadas olhavam fixo para frente. Andava sempre com a boca aberta e tinha o maxilar alargado, o que lhe cedia um aspecto monstruoso.Andava manco, como se estivesse com uma das pernas quebradas, e trajava uma túnica roxa com a impressão em tinta preta de uma mão espalmada no peito.
Chegou ao monólito de pedra no centro da vila e tocou-o com sua fina mão esquerda. O monólito emitiu luz branca de seu centro e apagou. Instantes após, três crianças saíam de suas casas em direção ao necromante, num efeito puramente mesmérico. O necromante e as crianças adentraram caminharam em direção ao portão da cidade das brumas.
Duas moças e um rapaz. Hipnotizados e com os olhos branco-esfumaçados caminhavam atrás do misterioso necromante pela densa velha floresta. Uma das moças acorda inexplicavelmente do transe e antes de gritar tapa sua boca e sufoca sua morte, por mais alguns instantes. Ela sabia o que estava acontecendo. Ela foi escolhida.
Seguiu o grupo sem desfazer a postura,mas olhava pros lados. Via vultos mancando, dezenas deles. O necromante os arrancava de seu sono para vagarem moribundos pela cidade de denso nevoeiro. Eles passavam por ela e nada faziam além de olhar profundamente em seus olhos. Isso dava desespero à moça.
Uma voz rouca rasgou o ar como uma seta venenosa : -"Não os ponho de pé para impedir que entrem. Os invoco para impedir que ele saia." Era a voz do necromante, que fez gelado de medo o coração da moça. Ele continuou : -"Eu sei que acordastes, sacrifício, você é a Utarekua." As outras crianças viraram suas cabeças com olhos brancos para trás e encararam com ar vazio a Utarekua.
Chegaram ao templo com a torre, e o salão principal estava todo preparado e iluminado para uma cerimônia. Doze sombras humanoides com diferentes máscaras, como as que viu nas paredes das ruínas de pedra na floresta. As sombras estavam de costas para um sarcófago na horizontal, e mais atrás um altar com um livro aberto. Na parede de trás havia o desenho de uma pessoa pequena louvando o que seria uma enorme sombra daquelas, com uma máscara de aspecto demoníaco com uma espada. Embaixo haviam três tubulações que levavam a sulcos no chão, que iam em direção ao sarcófago.
As duas crianças se posicionaram de joelhos em frente aos tubos e abaixaram as cabeças. As sombras voaram vorazes e devoraram as crianças vivas, que não davam sinal de dor.O Sangue escorria pelos sulcos e caía no sarcófago, e então um berro sem sentido quebrou o silêncio do lugar. Dos corpos ao chão saíram as almas das crianças e voaram rápido em direção à boca do necromante, que as engoliu.
As sombras fazem um corredor entre o sarcófago e a Utarekua. A tampa do sarcófago é gentilmente empurrada e de lá sai um ser com aspecto humano, porém tomado pela escuridão em um preto máximo, como se fosse uma das sombras,entretanto sólida, e embebido em sangue. Possuía a máscara diabólica do registro na parede do templo. Pegou sua espada no sarcófago e veio lentamente na direção da moça, que estava quase em pânico, porém sabia mais do que nunca qual era seu chamado. Seu coração parou de palpitar forte e levantou a cabeça.
Alatipak era o nome da divindade que vinha marchando lentamente, com a espada em punho. Era o Deus da morte e caminhava pelo mundo dos vivos para estender sua natureza.
A voz veio do outro lado do templo : -"Se gritares com a criatura, ela recua. Te mata e depois volta ao sono. Você foi escolhida para ser a necromante que agora guarda esta cidade amaldiçoada. Cumpre teu dever e salva nosso povo."
A criatura possuía aparência horrível.
Tomada pelo medo, Utarekua renunciou seu dever e correu. O necromante antigo gritou palavras velhas, porém não possuía mais seu poder, então não pôde descansar em paz. Fora do templo, na velha floresta, ouviu os gritos desesperados de uma alma que estava fadada à tormenta eterna, e agora, as sombras eram treze.
Alatipak destruiu a porta do templo e rumou em direção á vila. O Natal fez com que todos descansassem em suas casas, despreocupados.
A morte era livre para caminhar mais uma vez."
domingo, 28 de setembro de 2014
O Vício.
"Se estiver lendo esta carta, saiba que seu destino fora abandonado quando tocou esse papel.
As manchas de sangue que trilharam rotas confusas e entrelaçadas pelo vestido branco da moça que me segurava, selavam as últimas atrocidades que esses olhos já viram.
Até o momento que você a abriu.
Não se desespere, a morte vai esperar você terminar de ler.
Prezada Vida,
Deu-me tudo o que negou para centenas de outras pessoas, me mimou como se fosse teu filho predileto e malcriado. Nunca deixei de mamar confortável em teu seio enquanto o mundo sangrava e se afogava em convulsões e sangrias.
Nasci com o prestígio de manipular a raça humana através de poder e barbaridades que só uma criança tendo sua própria companhia durante a infância pode proporcionar.
Lamento ver isso apenas no colo da morte.
Depois de grande, a vida não foi menos injusta : Possuí dezenas de mulheres como se fossem um artigo de luxo sem alma nem objetivos além; e confesso que após cada delírio que aquelas damas me davam eu punha minha roupa e as mandavam embora, implorando que qualquer uma delas voltasse e me despisse novamente mas não para procurar por mais prazer, e sim para mimar meu coração que implorava por afeto materno.
Talvez eu devesse parar de levar minhas mães para a cama.
O rei fora decepado pelos revolucionários e a nobreza virou caça esportiva.
Nunca vi nada sangrar tanto quanto minha família.
O vício que me prendia a vida me manteve vivo e alimentado pelas ruas frias.
O vício que me obrigara a trabalhar para poder continuar a me lambuzar de cerveja preta e prostitutas mais astutas e gananciosas que as da corte.
Inicia-se a Era do Desencantamento.
O mundo ficou vermelho e cinza para os mais desafortunados.
E o que será de mim neste inferno ascendente ?
O trabalho duro tomava conta de mim ao longo dos anos, e os patrões viviam como os verdadeiros porcos da nobreza que eu pertencia.
Desejo de volta, mais do que tudo, esse chiqueiro.
Os ouvidos das profundezas mais imersas do inferno têm ouvidos astutos, e como fosse uma resposta, um homem aparentemente rico me aborda na rua, e disse que pode me oferecer de volta tudo que eu já tive. É um mistério como ele sabia, mas minha fome incessante por alimentar os pequenos parasitas do meu desejo falava mais alto.
Me deu um contrato que dizia que tudo que eu devia fazer era nunca me apaixonar na vida.
Pedido ridículo, tolo homem.
Me cumprimentou polidamente e disse que eu fosse um mínimo paciente. Cheguei no real chiqueiro que era minha casa atual e me preparava para dormir sem jantar, quando ouço batidas na porta.
Por razão infantil e covarde não quis abrí-la de imediato. Quando abri vi uma cena deveras incomum : Um dos nobres parara à minha porta e pede abrigo; foi assaltado e estava coberto de sangue, além de fraco e todo ferido. Havia algo interessante nele.
Era muito parecido comigo, porém mais jovem. O destino sorriu para mim novamente.
Amarrei sua boca e enterrei o moribundo embaixo da minha casa. Peguei suas roupas e rumei ao castelo.
Duque Wagner era seu nome.
E agora, o meu.
Me infiltrei na corte novamente. Meus vermes voltaram a crescer gordos e quietos.
Descobri que por ser o mais jovem dos nobres, fui prometido à viúva Rainha, para que o país tivesse sua Monarquia restabelecida.
Passei dias agradáveis com a Rainha, era uma mulher encantadora, e o amor que fazíamos era diferente de todos, pois sentia seu coração parar junto ao meu no fim.
Lembrei com era ser mimado e tratado como o Rei que eu seria.
Revolucionários entraram no castelo e inciou-se a matança de empregados e nobres restantes, impiedosamente.
Me tranquei na grande e impenetrável torre Norte com a Rainha, que chorava em meus ombros.
O silêncio dominou o castelo após algumas horas, e nos amamos apesar de toda a loucura que houvera lá embaixo.
O mundo pertence apenas aos apaixonados.
Conversamos sobre a vida, e sem mais explicações sobre os incidentes no começo da Revolução,
Descobri que ela era minha mãe.
A loucura devorou qualquer humanidade que havia naquele quarto.
E em meu bolso estava o contrato que fiz.
Entendi.
Pedi para que a rainha me matasse antes de matar a si mesmo.
Meu espírito não pode carregar este ardil ao túmulo, então o aprisionei neste papel, junto com meu sangue
E o que sobrou da essência da minha vida."
As manchas de sangue que trilharam rotas confusas e entrelaçadas pelo vestido branco da moça que me segurava, selavam as últimas atrocidades que esses olhos já viram.
Até o momento que você a abriu.
Não se desespere, a morte vai esperar você terminar de ler.
Prezada Vida,
Deu-me tudo o que negou para centenas de outras pessoas, me mimou como se fosse teu filho predileto e malcriado. Nunca deixei de mamar confortável em teu seio enquanto o mundo sangrava e se afogava em convulsões e sangrias.
Nasci com o prestígio de manipular a raça humana através de poder e barbaridades que só uma criança tendo sua própria companhia durante a infância pode proporcionar.
Lamento ver isso apenas no colo da morte.
Depois de grande, a vida não foi menos injusta : Possuí dezenas de mulheres como se fossem um artigo de luxo sem alma nem objetivos além; e confesso que após cada delírio que aquelas damas me davam eu punha minha roupa e as mandavam embora, implorando que qualquer uma delas voltasse e me despisse novamente mas não para procurar por mais prazer, e sim para mimar meu coração que implorava por afeto materno.
Talvez eu devesse parar de levar minhas mães para a cama.
O rei fora decepado pelos revolucionários e a nobreza virou caça esportiva.
Nunca vi nada sangrar tanto quanto minha família.
O vício que me prendia a vida me manteve vivo e alimentado pelas ruas frias.
O vício que me obrigara a trabalhar para poder continuar a me lambuzar de cerveja preta e prostitutas mais astutas e gananciosas que as da corte.
Inicia-se a Era do Desencantamento.
O mundo ficou vermelho e cinza para os mais desafortunados.
E o que será de mim neste inferno ascendente ?
O trabalho duro tomava conta de mim ao longo dos anos, e os patrões viviam como os verdadeiros porcos da nobreza que eu pertencia.
Desejo de volta, mais do que tudo, esse chiqueiro.
Os ouvidos das profundezas mais imersas do inferno têm ouvidos astutos, e como fosse uma resposta, um homem aparentemente rico me aborda na rua, e disse que pode me oferecer de volta tudo que eu já tive. É um mistério como ele sabia, mas minha fome incessante por alimentar os pequenos parasitas do meu desejo falava mais alto.
Me deu um contrato que dizia que tudo que eu devia fazer era nunca me apaixonar na vida.
Pedido ridículo, tolo homem.
Me cumprimentou polidamente e disse que eu fosse um mínimo paciente. Cheguei no real chiqueiro que era minha casa atual e me preparava para dormir sem jantar, quando ouço batidas na porta.
Por razão infantil e covarde não quis abrí-la de imediato. Quando abri vi uma cena deveras incomum : Um dos nobres parara à minha porta e pede abrigo; foi assaltado e estava coberto de sangue, além de fraco e todo ferido. Havia algo interessante nele.
Era muito parecido comigo, porém mais jovem. O destino sorriu para mim novamente.
Amarrei sua boca e enterrei o moribundo embaixo da minha casa. Peguei suas roupas e rumei ao castelo.
Duque Wagner era seu nome.
E agora, o meu.
Me infiltrei na corte novamente. Meus vermes voltaram a crescer gordos e quietos.
Descobri que por ser o mais jovem dos nobres, fui prometido à viúva Rainha, para que o país tivesse sua Monarquia restabelecida.
Passei dias agradáveis com a Rainha, era uma mulher encantadora, e o amor que fazíamos era diferente de todos, pois sentia seu coração parar junto ao meu no fim.
Lembrei com era ser mimado e tratado como o Rei que eu seria.
Revolucionários entraram no castelo e inciou-se a matança de empregados e nobres restantes, impiedosamente.
Me tranquei na grande e impenetrável torre Norte com a Rainha, que chorava em meus ombros.
O silêncio dominou o castelo após algumas horas, e nos amamos apesar de toda a loucura que houvera lá embaixo.
O mundo pertence apenas aos apaixonados.
Conversamos sobre a vida, e sem mais explicações sobre os incidentes no começo da Revolução,
Descobri que ela era minha mãe.
A loucura devorou qualquer humanidade que havia naquele quarto.
E em meu bolso estava o contrato que fiz.
Entendi.
Pedi para que a rainha me matasse antes de matar a si mesmo.
Meu espírito não pode carregar este ardil ao túmulo, então o aprisionei neste papel, junto com meu sangue
E o que sobrou da essência da minha vida."
sábado, 27 de setembro de 2014
A perspectiva e a cegueira.
"Se julgar sábio ou entortar qualquer percepção que toca seus dedos em pura informação racionalizada ou que caiba na memória não pode ser, mas de forma alguma, atrevida a ser tratada como compreensão de mundo ou ambiente.
Se vê que a vida é o prazer mais valioso, e que o ser que a abriga em seu corpo racionaliza de forma ignóbil; esse ser que sorri pelas pontas com gotas suaves de perversidade e aquela pitada agridoce de cinismo ao fazer a vida aprisionada no corpo do ser que está ao seu lado beber das mais variadas dores do mundo.
Mundo nosso que todos os dias se levante com o sol nascente e é açoitado pela escuridão e ingratidão, e principalmente as críticas; críticas egoístas e despejadas aos montes exatamente como esta presente.
Críticas são perspectivas criadas por todos em direção a nada, vês que a natureza é a opressão racional da vida que se manifesta inata e efêmera, nunca natural por excelência, mas paciente e didática para a ignorância.
A natureza chama a todos. O chamado é quebrado por Adão. As reações "naturais" inatas são respostas para a cegueira causada. Por esse parto sem fim nasce o feto confuso que chamam de ódio. O ódio cresce saudável, e as diferenças entre o não muito semelhante o alimentam como a luz do sol. Se o sol causa esse problemas o bloquearemos ? Sim, e morramos todos nas trevas infinitas que se comunicará com nossas trevas infinitas interiores.
Se essa perspectiva não pode ser mais combatida, então salva tua própria pele.
E permita que o mundo possa morrer em paz."
Se vê que a vida é o prazer mais valioso, e que o ser que a abriga em seu corpo racionaliza de forma ignóbil; esse ser que sorri pelas pontas com gotas suaves de perversidade e aquela pitada agridoce de cinismo ao fazer a vida aprisionada no corpo do ser que está ao seu lado beber das mais variadas dores do mundo.
Mundo nosso que todos os dias se levante com o sol nascente e é açoitado pela escuridão e ingratidão, e principalmente as críticas; críticas egoístas e despejadas aos montes exatamente como esta presente.
Críticas são perspectivas criadas por todos em direção a nada, vês que a natureza é a opressão racional da vida que se manifesta inata e efêmera, nunca natural por excelência, mas paciente e didática para a ignorância.
A natureza chama a todos. O chamado é quebrado por Adão. As reações "naturais" inatas são respostas para a cegueira causada. Por esse parto sem fim nasce o feto confuso que chamam de ódio. O ódio cresce saudável, e as diferenças entre o não muito semelhante o alimentam como a luz do sol. Se o sol causa esse problemas o bloquearemos ? Sim, e morramos todos nas trevas infinitas que se comunicará com nossas trevas infinitas interiores.
Se essa perspectiva não pode ser mais combatida, então salva tua própria pele.
E permita que o mundo possa morrer em paz."
domingo, 10 de agosto de 2014
Estão entre nós.
"Trazê-los à tona não é um erro, eles sempre estiveram entre nós e sorrateiramente ganham forças, até que se revelem e dominem o mundo inteiro.
Estamos sozinhos.
Sozinho é uma palavra que o trio de amigos Erik, Isabelle e Samuel não conhecia. Passavam quase todo o tempo juntos, exceto quando Isabelle e Samuel ficavam sozinhos para namorar. Incrível como o namoro não atrapalhava a amizade dos três; pois o casal viva grudado em Erik, como se fosse um líder.Fazia bem esse papel; era um charlatão, fala-mansa e metido a sabe-tudo, mas um rapaz divertido e de fato inteligente. Era o mais alto dos três, o que não era muita coisa, pois Samuel e Isabelle tinham o mesmo tamanho. Assustador, parece que nasceram um para o outro.
Uma noite nas luzes da cidade. Feromônios no ar fazem a libido dos jovem entrar em erupção.O trio conheceu Elva, uma garota misteriosa, mas que adorava se divertir pelos sons ascos e bebidas alcoólicas que a cidade oferecia em culto á virilidade.A virilidade começava a sussurrar nos ouvidos dos quatro jovens. Decidiram ir para um lugar mais isolado da cidade,para desfrutar do silêncio do isolamento e também desfrutar da presença atrativa e gostosa que um gerava ao outro.
Chegaram à grande casa abandonada que ficava a uns 350 metros afastados de um canto da estrada principal da cidade. Havia uma antena nova na casa.
Era uma casa de madeira trabalhada, muito bela e simples por dentro. Não haviam aparelhos eletrônicos, as luzes eram de velas e lamparinas, que iluminavam muito bem o local. O pessoal estava arrumando a sala e o tapete, enquanto Erik viu um quadro de uma jovem ruiva, com agasalhos antigos. Na parte baixa do quadro dizia : Para Violet.
Uma mão no ombro de Erik.
Samuel estava o chamando, o tabuleiro de Ouija estava pronto.
Conversar com espíritos era um passatempo daqueles amigos curiosos, e Elva concordou sem hesitação.
Começaram.
Sinceramente, nunca acontecia nada. Depois da sessão, ficaram contando historias de terror sobre espíritos, mortos-vivos e qualquer coisa que tire sono.
Chiados. Só Erik os ouviu.
Quando olhou para ver a reação dos demais percebeu os olhos de Elva procurando os seus
Fecharam a porta e começaram a se beijar.
Chiados.
O copo do Ouija caiu da mesa. Isabelle e Samuel estavam no outro quarto. Silêncio na casa.
Chiados de televisão.
Erik gritava pelos amigos para checar se estavam bem. Silêncio.
Chiados.Barulhos perturbadores.Sons de língua estalando...Como se fosse uma conversa.
Elva ?
Erik estava sozinho.
Saiu devagar do quarto.Não saiu todo,à meia porta viu o que parecia carne humana revirada e moída, junto com litros de sangue pelo tapete.
Pasos rápidos.
Gritos de Elva.
Erik ficou cerca de dez minutos dentro quarto, quando decidiu sair para verificar os incessantes gritos de Elva.
A sala banhada em sangue e um forte chiado. As peles dos rostos de seus amigos no chão causaram náuseas.
Sombras vistas pelo vão entre a porta do outro quarto e o chão.Os gritos eram fortes lá.
Erik respirou.
Contou.
Abriu a porta devagar.
Dois seres pequenos ( Da altura de Isabelle e Samuel ) com olhos negros e grandes, com as bocas cilíndricas e esticadas, pele cinza e enrugada, dedos finos, assim como seus braços e pernas e cabeça oval. Esses dois seres tinham Elva presa em uma espécie de mesa cirúrgica, com a barriga aberta. Os seres reviravam os órgãos de Elva como se buscassem examiná-los e ignoravam os gritos de dor.
Elva, pálida, olhou para Erik e disse :
Fuja.
Sangue escorreu de sua boca.
As duas criaturas viraram lentamente as cabeças para Erik, e não paravam de encará-lo e fazer os sons estalidos de língua."
Eles estão entre nós.
Estamos sozinhos.
Estamos sozinhos.
Sozinho é uma palavra que o trio de amigos Erik, Isabelle e Samuel não conhecia. Passavam quase todo o tempo juntos, exceto quando Isabelle e Samuel ficavam sozinhos para namorar. Incrível como o namoro não atrapalhava a amizade dos três; pois o casal viva grudado em Erik, como se fosse um líder.Fazia bem esse papel; era um charlatão, fala-mansa e metido a sabe-tudo, mas um rapaz divertido e de fato inteligente. Era o mais alto dos três, o que não era muita coisa, pois Samuel e Isabelle tinham o mesmo tamanho. Assustador, parece que nasceram um para o outro.
Uma noite nas luzes da cidade. Feromônios no ar fazem a libido dos jovem entrar em erupção.O trio conheceu Elva, uma garota misteriosa, mas que adorava se divertir pelos sons ascos e bebidas alcoólicas que a cidade oferecia em culto á virilidade.A virilidade começava a sussurrar nos ouvidos dos quatro jovens. Decidiram ir para um lugar mais isolado da cidade,para desfrutar do silêncio do isolamento e também desfrutar da presença atrativa e gostosa que um gerava ao outro.
Chegaram à grande casa abandonada que ficava a uns 350 metros afastados de um canto da estrada principal da cidade. Havia uma antena nova na casa.
Era uma casa de madeira trabalhada, muito bela e simples por dentro. Não haviam aparelhos eletrônicos, as luzes eram de velas e lamparinas, que iluminavam muito bem o local. O pessoal estava arrumando a sala e o tapete, enquanto Erik viu um quadro de uma jovem ruiva, com agasalhos antigos. Na parte baixa do quadro dizia : Para Violet.
Uma mão no ombro de Erik.
Samuel estava o chamando, o tabuleiro de Ouija estava pronto.
Conversar com espíritos era um passatempo daqueles amigos curiosos, e Elva concordou sem hesitação.
Começaram.
Sinceramente, nunca acontecia nada. Depois da sessão, ficaram contando historias de terror sobre espíritos, mortos-vivos e qualquer coisa que tire sono.
Chiados. Só Erik os ouviu.
Quando olhou para ver a reação dos demais percebeu os olhos de Elva procurando os seus
Fecharam a porta e começaram a se beijar.
Chiados.
O copo do Ouija caiu da mesa. Isabelle e Samuel estavam no outro quarto. Silêncio na casa.
Chiados de televisão.
Erik gritava pelos amigos para checar se estavam bem. Silêncio.
Chiados.Barulhos perturbadores.Sons de língua estalando...Como se fosse uma conversa.
Elva ?
Erik estava sozinho.
Saiu devagar do quarto.Não saiu todo,à meia porta viu o que parecia carne humana revirada e moída, junto com litros de sangue pelo tapete.
Pasos rápidos.
Gritos de Elva.
Erik ficou cerca de dez minutos dentro quarto, quando decidiu sair para verificar os incessantes gritos de Elva.
A sala banhada em sangue e um forte chiado. As peles dos rostos de seus amigos no chão causaram náuseas.
Sombras vistas pelo vão entre a porta do outro quarto e o chão.Os gritos eram fortes lá.
Erik respirou.
Contou.
Abriu a porta devagar.
Dois seres pequenos ( Da altura de Isabelle e Samuel ) com olhos negros e grandes, com as bocas cilíndricas e esticadas, pele cinza e enrugada, dedos finos, assim como seus braços e pernas e cabeça oval. Esses dois seres tinham Elva presa em uma espécie de mesa cirúrgica, com a barriga aberta. Os seres reviravam os órgãos de Elva como se buscassem examiná-los e ignoravam os gritos de dor.
Elva, pálida, olhou para Erik e disse :
Fuja.
Sangue escorreu de sua boca.
As duas criaturas viraram lentamente as cabeças para Erik, e não paravam de encará-lo e fazer os sons estalidos de língua."
Eles estão entre nós.
Estamos sozinhos.
domingo, 6 de julho de 2014
A guerra.
"A guerra.
Quem pode entender a guerra ? Na falta desse alguém, resta obedece-la.
Valentes são os corações teimosos que insistem em continuar se amando,contra todas as chances e motivos. Dois desses corações palpitam dentro de um cordeiro e outro dentro de um dragão.
Em uma terra distante moravam esses cordeiro e dragão.Viviam juntos, como se a natureza concedesse a um suplicante pedido de um bardo desesperado por um tema de canção. E que canção daria se visse como o estranho casal se cuidava mutuamente; mais o dragão do que o cordeiro, do que o cordeiro que o dragão.Isso não mudava os valores. o dragão via o cordeiro como sua joia preciosa, e renegou ao tesouro dos homens para ter um único amuleto a qual cuidar.
A noite de um dia qualquer cai e os dois se poem a dormir na caverna.O cordeiro se aquecia encolhido junto ao ventre quente do dragão. Nenhum dos dois dormiu logo, a lua cantava silenciosos motes de amor e aventuras passadas, entretendo os até que o cordeiro caísse sob o aconchego da noite. O dragão deitou e fechou os olhos.
Os berros irromperam noite, misturando-se com o barulho estridente de aço gritante e cintilante.O dragão caminha preguiçosamente até a entrada da gruta e testemunha mais uma vez o esporte preferido do humano : O assassinato, com direito a muito sangue, que faz o deleite da morte aumentar o brilho em seus olhos quando o aço ainda frio esquenta dentro da carne viva de um de seus irmãos.
Nada que perturbe a paz de uma criatura que já testemunhara centenas de outras guerras, e matara dezenas desses seres frágeis.
Todos os outros seres eram mais frágeis que o grande dragão. Exceto um certo cordeiro, que dormia tranquilamente, ignorando a loucura do lado de fora.O dragão respeitava a ferocidade do cordeiro. A ferocidade da coragem que o habitava, para uni-los.
A noite chama pela manhã e anuncia seu fim, junto com a batalha, que manchara as belas planícies com sangue e ferro.
Nada que incomodasse a majestosa fera.
Quase nada aliás.
O cordeiro fraquejava seu caminhar, e seu pêlo tinha sangue e uma substância preta, como um desenho furioso em um tela.
Ele ia morrer intoxicado com a presença do dragão, e a majestosa fera entendeu isso.
Um pequeno remorso começou a apagar o fogo de dentro pra fora, até que se lembrou.
Se lembrou dos ovos no topo da montanha em que estavam vivendo.Ovos no qual seu conteúdo pastoso era um remédio para qualquer enfermidade.
Certificou-se que o cordeiro estava com comendo bem, e voou rumo ao topo da montanha.
Lá encontrou acampamentos de guerra, e pessoas em volta de seus ovos.
Não houve medo,receio, ou rancor; queimou os soldados e as tendas que lá estavam com seu fogo que carregava no peito.O mesmo fogo que aquecia o cordeiro de noite. Olhou e ouviu a morte se apossando do lugar e deleitou-se com seu poder sobre a vida. Sentiu a delícia da guerra.
Após o massacre, pegou os ovos e desceu em direção à caverna.
Avistou alguns humanos teimosos que acamparam em sua caverna.Sentiu repugno ao ver as tais criaturas comendo em volta da fogueira.
O repugno se misturou com o crescente ódio ao ver ossos e uma lã tingida de preto e vermelho ao lado da fogueira. As bocas humanas sujas de carne qualificaram o maior crime já visto pelo dragão.Os olhos de desespero foram a última reação de vida dentro daquela caverna.
O dragão sentiu-se como se houvesse gasto o sopro quente de sua vida. Olhou para a batalha que recomeçara. Desejou matar todos aqueles vermes dentro das armaduras.
Mas só deitou-se e dormiu para sempre.
Quem pode entender a guerra ?
Quem pode entender a guerra ? Na falta desse alguém, resta obedece-la.
Valentes são os corações teimosos que insistem em continuar se amando,contra todas as chances e motivos. Dois desses corações palpitam dentro de um cordeiro e outro dentro de um dragão.
Em uma terra distante moravam esses cordeiro e dragão.Viviam juntos, como se a natureza concedesse a um suplicante pedido de um bardo desesperado por um tema de canção. E que canção daria se visse como o estranho casal se cuidava mutuamente; mais o dragão do que o cordeiro, do que o cordeiro que o dragão.Isso não mudava os valores. o dragão via o cordeiro como sua joia preciosa, e renegou ao tesouro dos homens para ter um único amuleto a qual cuidar.
A noite de um dia qualquer cai e os dois se poem a dormir na caverna.O cordeiro se aquecia encolhido junto ao ventre quente do dragão. Nenhum dos dois dormiu logo, a lua cantava silenciosos motes de amor e aventuras passadas, entretendo os até que o cordeiro caísse sob o aconchego da noite. O dragão deitou e fechou os olhos.
Os berros irromperam noite, misturando-se com o barulho estridente de aço gritante e cintilante.O dragão caminha preguiçosamente até a entrada da gruta e testemunha mais uma vez o esporte preferido do humano : O assassinato, com direito a muito sangue, que faz o deleite da morte aumentar o brilho em seus olhos quando o aço ainda frio esquenta dentro da carne viva de um de seus irmãos.
Nada que perturbe a paz de uma criatura que já testemunhara centenas de outras guerras, e matara dezenas desses seres frágeis.
Todos os outros seres eram mais frágeis que o grande dragão. Exceto um certo cordeiro, que dormia tranquilamente, ignorando a loucura do lado de fora.O dragão respeitava a ferocidade do cordeiro. A ferocidade da coragem que o habitava, para uni-los.
A noite chama pela manhã e anuncia seu fim, junto com a batalha, que manchara as belas planícies com sangue e ferro.
Nada que incomodasse a majestosa fera.
Quase nada aliás.
O cordeiro fraquejava seu caminhar, e seu pêlo tinha sangue e uma substância preta, como um desenho furioso em um tela.
Ele ia morrer intoxicado com a presença do dragão, e a majestosa fera entendeu isso.
Um pequeno remorso começou a apagar o fogo de dentro pra fora, até que se lembrou.
Se lembrou dos ovos no topo da montanha em que estavam vivendo.Ovos no qual seu conteúdo pastoso era um remédio para qualquer enfermidade.
Certificou-se que o cordeiro estava com comendo bem, e voou rumo ao topo da montanha.
Lá encontrou acampamentos de guerra, e pessoas em volta de seus ovos.
Não houve medo,receio, ou rancor; queimou os soldados e as tendas que lá estavam com seu fogo que carregava no peito.O mesmo fogo que aquecia o cordeiro de noite. Olhou e ouviu a morte se apossando do lugar e deleitou-se com seu poder sobre a vida. Sentiu a delícia da guerra.
Após o massacre, pegou os ovos e desceu em direção à caverna.
Avistou alguns humanos teimosos que acamparam em sua caverna.Sentiu repugno ao ver as tais criaturas comendo em volta da fogueira.
O repugno se misturou com o crescente ódio ao ver ossos e uma lã tingida de preto e vermelho ao lado da fogueira. As bocas humanas sujas de carne qualificaram o maior crime já visto pelo dragão.Os olhos de desespero foram a última reação de vida dentro daquela caverna.
O dragão sentiu-se como se houvesse gasto o sopro quente de sua vida. Olhou para a batalha que recomeçara. Desejou matar todos aqueles vermes dentro das armaduras.
Mas só deitou-se e dormiu para sempre.
Quem pode entender a guerra ?
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