"A guerra, a fome,a dor,o desespero,o choro,o sangue,o dinheiro,os risos,os grunhidos,os pecados,o ouro,a violência,a praga,as armas,as bandeiras,o sol,a corrupção,os protestos,o torneio,a comida,os livros,o fogo,o exagero,a verdade,a mentira,os santos,os heróis,as espadas,o apocalipse...
...E o deserto. Areia,sangue;destroços de máquinas,cidades e pessoas. A sensação revigorante de estar vivo é engolido pela incerteza fugaz do agora. Então eu caminho, rumo ao nada.
Várias dunas de areia qualificam a paisagem maçante desse imenso lugar nenhum e o sol é o único companheiro,na condição de estar sempre calado.
O calor causa insolações e reflexões acerca da vaga memória que vai se iluminando com a caminhada, trazendo cada rosto e lembrança que passa diante aos olhos provoca sensação de gotas de chuva, e faz com que minha mente se isole do deserto à minha volta.Tudo passa muito rápido.
A jornada não leva a lugar algum,e meu corpo interpreta essa busca infrutífera com desânimo, dando sinais de clara desistência.Encontro um escombro do que já foi um prédio e me refugio em sua sombra.
Fome,nostalgia e mais um pouco de esperança que ficando podre junto com os resto da antiga civilização,e podre também fica o coração.É triste sentir quando nele há apenas sangue.
A noite no deserto é gélida,então caminho para não o calor me manter de pé. A lua e as estrelas me surpreendem, pois nunca as vi em meio a tantas explosões, além do medo de não olhar somente para frente.
O sol retorna para marcar minhas vagações e iniciar outro dia.
"A artilharia defensiva estava posicionada e pronta para derrubar qualquer coisa viva ali perto,mas ainda sim os soldados tremiam de tanto medo, e em seus olhos estavam divididos entre o horror e o dever para com a carnificina sem sentido, que vinha marchando do horizonte..."
Encontrei próximo às ruínas de um veículo alguma coisa que pudesse ser comestível, e adiei meu sofrimento fatal, não importando por quanto tempo,pois este já havia sido consumido junto com a guerra...
...Ou talvez tenha me engando, pois o tempo me rastreara nesse inóspito mar de areia e infectava meu ego com a necessidade.
Quanto mais a mente aprendia com o vazio, mais o corpo padecia com a insistente fome e as trocas bruscas de temperatura.
Em um ponto adiante fui alcançado por uma tempestade de neve, por acaso podendo encontrar um sobretudo em um corpo ex-humano que estava estirado ao chão.
Os ventos fortes e o medo do que estava á frente me empurravam de volta à parte quente, mas não havia volta ao tempo gasto atrás.
Chegada em uma montanha coberta de neve, e à frente estava uma magnifica aurora boreal que fazia mais que dançar sobre minha cabeça, ela se comunicava em silêncio com minha mente e começara a remover toda a angústia,medo,dor,fome,ansiedade que eu havia passado no caminho atrás, e como em um pedido terno, removeu minha vida junto."
domingo, 23 de março de 2014
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Vazio Adormecido.
"Sucessivas colheitas, rostos rosados e suados de tanto trabalho no campo.
Verde infinito,cresce do chão, das árvores, e dos bancos.
Farturas acentuadas e celebração ,cheia de vinho, à felicidade.
A esperança foi usada como apoio ao pé desigual da mesa.
A fé em tempos melhores foi alcançada, brindes ao êxtase insaciável
Da boa vida.
Mais um dia nublado,mais um dia de trabalho.
O tolo do tempo que fale à toa, a alegria está impecável.
A terceira safra consecutiva está pronta.
Aonde Deus se esconde ?
Ele podia ver o homem sendo feliz.
Fim do dia, carros cheios e hora de apreciar o trabalho feito.
A terra começa a tremer e o chão se abre.
O inferno está a caminho.
Uma imensa cobra se ergue do chão,
De forma tão dramática quanto
Apocalíptica.
Sua locomoção destrói as plantações e a coisa constringe a casa do fazendeiro
Como se fosse a presa de uma cobra normal.
"Dá-me o que comer", disse a besta.
O fazendeiro não sabia o que ela comia e se dirigiu humilde a perguntar.
Em resposta, a cobra enfiou a cabeça dentro da casa e engoliu uma de suas três filhas.
O homem ficou chocado,mas manteve-se calmo.
A cobra despejou seus dejetos, que logo o fazendeiro reconheceu como puríssimo adubo.
Cada dia o homem assassinava um de seus semelhantes e levava a oferenda à cobra,
Buscando poupar sua família,
Mas principalmente obter o poderosíssimo fertilizante
Que lhe fazia lucrar mais que os outros fazendeiros.
Um dia acabaram-se as pessoas a quem matar.
Então o fazendeiro ofereceu sua mulher.
E se lamentou.
Depois ofereceu sua duas filhas,
Mas estava insano e voraz por dinheiro
E não se lamentou.
Chegou o dia em que havia apenas ele e a cobra.
Se não poderia mais obter dinheiro
Preferiu se entregar.
A cobra ergueu a parte superior de seu corpo,
Como num bote fatal.
Desprendeu-se da casa e foi embora,
Deixando o fazendeiro confuso e desolado.
Quando olhou para a última pilha de dejetos
Viu encrustada a cabeça de sua última filha."
Verde infinito,cresce do chão, das árvores, e dos bancos.
Farturas acentuadas e celebração ,cheia de vinho, à felicidade.
A esperança foi usada como apoio ao pé desigual da mesa.
A fé em tempos melhores foi alcançada, brindes ao êxtase insaciável
Da boa vida.
Mais um dia nublado,mais um dia de trabalho.
O tolo do tempo que fale à toa, a alegria está impecável.
A terceira safra consecutiva está pronta.
Aonde Deus se esconde ?
Ele podia ver o homem sendo feliz.
Fim do dia, carros cheios e hora de apreciar o trabalho feito.
A terra começa a tremer e o chão se abre.
O inferno está a caminho.
Uma imensa cobra se ergue do chão,
De forma tão dramática quanto
Apocalíptica.
Sua locomoção destrói as plantações e a coisa constringe a casa do fazendeiro
Como se fosse a presa de uma cobra normal.
"Dá-me o que comer", disse a besta.
O fazendeiro não sabia o que ela comia e se dirigiu humilde a perguntar.
Em resposta, a cobra enfiou a cabeça dentro da casa e engoliu uma de suas três filhas.
O homem ficou chocado,mas manteve-se calmo.
A cobra despejou seus dejetos, que logo o fazendeiro reconheceu como puríssimo adubo.
Cada dia o homem assassinava um de seus semelhantes e levava a oferenda à cobra,
Buscando poupar sua família,
Mas principalmente obter o poderosíssimo fertilizante
Que lhe fazia lucrar mais que os outros fazendeiros.
Um dia acabaram-se as pessoas a quem matar.
Então o fazendeiro ofereceu sua mulher.
E se lamentou.
Depois ofereceu sua duas filhas,
Mas estava insano e voraz por dinheiro
E não se lamentou.
Chegou o dia em que havia apenas ele e a cobra.
Se não poderia mais obter dinheiro
Preferiu se entregar.
A cobra ergueu a parte superior de seu corpo,
Como num bote fatal.
Desprendeu-se da casa e foi embora,
Deixando o fazendeiro confuso e desolado.
Quando olhou para a última pilha de dejetos
Viu encrustada a cabeça de sua última filha."
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
La Jornada Del Muerto.
" Domingo seria dia de oração devota na igreja, se ela não estivesse habitada por espíritos que caminham sem os pés.Não é somente a igreja; todas nossas ruas, praças, prédios viraram rota do caminho dos mortos.
São a energia dos que já foram vivos, e com seus crânios firmes como sua identificação.
Uma pessoa desorientada caminha apavorada pelas ruas aparentemente vazias, e sente que não está só, e em grupo aparecem los muertos para fazer seu trabalho perturbador. Se conectam à vítima com cordões esfumaçados que saem de qualquer parte do corpo intangível e transpassam os órgãos, sugando toda a vitalidade.Uns oito ou nove de uma vez,como tubarões ao sentir algo na água; drenam a vítima e depois removem seu crânio puro e limpo.Uma energia negra se levanta do recipiente caído e o crânio é cuidadosamente encaixado no topo do corpo que se formava. Está pronto mais um muerto, pronto para desalmar qualquer um que já foi seu semelhante.
E o corpo ? O corpo se putrefaz mais rápido do que o habitual, e o cheiro atrai los cazadores. São seres bípedes tremem incontrolavelmente e não cerram a mandíbula, além de ter olhares fixos e desesperados.Engolem os corpos de um só fôlego e voracidade tamanha que faz o ácido de sua boca escorrer e fazer furos no chão.Viram-se e vão embora. Finalmente posso respirar.
Vejo cenas como esta todos os longos dias de minha janela.Aliás,da fresta que existe nela. Minha casa é um verdadeiro refúgio,cheio de mantimentos ,e especialmente escura e fria.Se los muertos procuram energia, não vão encontrar aqui.
Saio pela cidade durante à noite, ao que percebi que as criaturas não são hostis nesse período,a não ser que sejam tocadas, nem encaradas.Tolo quem o fizer qualquer hora do dia.
Sol da manhã.Só o descobri pela fresta que abri no telhado, iluminando uma área pequena e isolada da casa.Acendo poucas velas e faço algo para comer.Me sento e espero.Algumas vezes leio um livro que encontrei ou organizo a casa.Solidão ataca e se mistura com gritos de dor desespero que vêm da rua, e logo depois os gemidos e ruídos das bestas famigeradas fazendo suas refeições de pessoas.
Tédio após tédio,as sensações vão se diluindo em doses suaves de loucura desordem.Gritos de mortes, espíritos que observam e carne sendo derretida.Então lembrei de uma data que eu devia comemorar pelo meu sucumbido povo : O Dia dos Mortos.
Decorei a casa com velas a mais, espalhei caveiras e abóboras por toda a casa e toquei algumas músicas na guitarra.
Choro agoniado e medo que infectava rápido meu corpo. Solidão começara a mastigar minha pobre existência.Então a coragem corrompeu a loucura.Tomo a faca mais próxima, abro devagar a porta da casa e espero.Não há sinal,pois está de noite, mas encontro um muerto vagando próximo,e sem pestanejar o crânio oco se vira em minha direção e flutua devagar.
Suor banha minha cama, e estou pálido e com excessivo frio.Vi os olhos que carregam o apocalipse, vítima pós vítima.Vejo seus rostos implorando ajuda.Olhos vazios, mas cheios.
Minha coragem falhou drasticamente assim como meus instintos.
Casa cercada de criaturas abomináveis, descobriram meu refúgio.Hora de partir na jornada da morte, ou será que eu fui o único morto e enterrado nesta cidade ? Viver com medo não vem do instinto de sobrevivência.
As paredes começam a ceder, quando vejo algo vindo diretamente do céu.
Círculo da morte é sua própria jornada."
São a energia dos que já foram vivos, e com seus crânios firmes como sua identificação.
Uma pessoa desorientada caminha apavorada pelas ruas aparentemente vazias, e sente que não está só, e em grupo aparecem los muertos para fazer seu trabalho perturbador. Se conectam à vítima com cordões esfumaçados que saem de qualquer parte do corpo intangível e transpassam os órgãos, sugando toda a vitalidade.Uns oito ou nove de uma vez,como tubarões ao sentir algo na água; drenam a vítima e depois removem seu crânio puro e limpo.Uma energia negra se levanta do recipiente caído e o crânio é cuidadosamente encaixado no topo do corpo que se formava. Está pronto mais um muerto, pronto para desalmar qualquer um que já foi seu semelhante.
E o corpo ? O corpo se putrefaz mais rápido do que o habitual, e o cheiro atrai los cazadores. São seres bípedes tremem incontrolavelmente e não cerram a mandíbula, além de ter olhares fixos e desesperados.Engolem os corpos de um só fôlego e voracidade tamanha que faz o ácido de sua boca escorrer e fazer furos no chão.Viram-se e vão embora. Finalmente posso respirar.
Vejo cenas como esta todos os longos dias de minha janela.Aliás,da fresta que existe nela. Minha casa é um verdadeiro refúgio,cheio de mantimentos ,e especialmente escura e fria.Se los muertos procuram energia, não vão encontrar aqui.
Saio pela cidade durante à noite, ao que percebi que as criaturas não são hostis nesse período,a não ser que sejam tocadas, nem encaradas.Tolo quem o fizer qualquer hora do dia.
Sol da manhã.Só o descobri pela fresta que abri no telhado, iluminando uma área pequena e isolada da casa.Acendo poucas velas e faço algo para comer.Me sento e espero.Algumas vezes leio um livro que encontrei ou organizo a casa.Solidão ataca e se mistura com gritos de dor desespero que vêm da rua, e logo depois os gemidos e ruídos das bestas famigeradas fazendo suas refeições de pessoas.
Tédio após tédio,as sensações vão se diluindo em doses suaves de loucura desordem.Gritos de mortes, espíritos que observam e carne sendo derretida.Então lembrei de uma data que eu devia comemorar pelo meu sucumbido povo : O Dia dos Mortos.
Decorei a casa com velas a mais, espalhei caveiras e abóboras por toda a casa e toquei algumas músicas na guitarra.
Choro agoniado e medo que infectava rápido meu corpo. Solidão começara a mastigar minha pobre existência.Então a coragem corrompeu a loucura.Tomo a faca mais próxima, abro devagar a porta da casa e espero.Não há sinal,pois está de noite, mas encontro um muerto vagando próximo,e sem pestanejar o crânio oco se vira em minha direção e flutua devagar.
Suor banha minha cama, e estou pálido e com excessivo frio.Vi os olhos que carregam o apocalipse, vítima pós vítima.Vejo seus rostos implorando ajuda.Olhos vazios, mas cheios.
Minha coragem falhou drasticamente assim como meus instintos.
Casa cercada de criaturas abomináveis, descobriram meu refúgio.Hora de partir na jornada da morte, ou será que eu fui o único morto e enterrado nesta cidade ? Viver com medo não vem do instinto de sobrevivência.
As paredes começam a ceder, quando vejo algo vindo diretamente do céu.
Círculo da morte é sua própria jornada."
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
O Lobo e o Anjo.
Perfeito.
Como uma sociedade deve ser,perfeita.
Não há guerra,não há crime,não há dor.
Vivemos afastados de todo o mundo ganancioso,corrupto e egoísta.
Mortes naturais,doenças controladas e vida saudável e longa.
Tudo devido a nosso grande monarca, Rei Thomas.
O respeitamos como se fosse Deus
E tememos como se fosse o Demônio.
Allan,este é meu nome.
Minha função é cavar túmulos para abrigar os corpos das pessoas que morrem,
Essa é uma tradição popular nossa.
Sou coveiro.
Gosto de minha profissão, é calma e silenciosa, até demais às vezes, admito.
Moro na rua através do cemitério em que trabalho,torna-se cômodo para ir ao trabalho.
Nove e meia, hora de continuar meu serviço.
Três horas seguidas abrindo valas, fazendo rondas e olhando estátuas de anjos.
Parei apenas porque uma delas decidiu falar comigo.
Apenas a cabeça de mármore virou-se para falar,com olhos mortos que piscavam
E lábios vazios que se mexiam.
Disse-me : "A terra está corrompidas aos olhos de Deus,e cheia de violência."
Virou-se e voltou a ser estátua.
Continuei naturalmente meu trabalho,
Mas a cena repetia-se periodicamente em minha cabeça e me fazia suar e perder concentração.
Olhos para um lado,para o outro.Inquieto.
Meia-noite, avisa o relógio da capital. Minha noite está longe de acabar,e as memórias começam a se sentirem acudas pela nova e incômoda.
De repente surge um lobo das altas moitas entre as sepulturas.
Encara e anda devagar,majestoso.Estava pronto para avançar,
Mas sua boca não rosnou,
Falou.
"Sentiste medo ?", perguntou.
Afirmei com a cabeça, mas o resto do corpo paralisado.
"Então estás vivo." Concluiu.
Ligeiro,voraz e desumano como poderia ser, arrancou em uma mordida meu braço esquerdo.
Não pude gritar.Nem quis.
Sangrei,sangrei e meu sangue escorria de seus dentes pontudos e estava em sua língua ,quando tornou a falar :
"Sei que está vivo,então. Amanhã volto para ver se acordou." E retornou por onde veio.
Desmaiei.
No hospital todos passavam, inexpressivos.
Me dei conta que meu rosto se contorceu bastante durante ontem à noite.
O médico disse que se chama sensação, provocada pela dor
Ou pelo medo.
Disse para ficar em casa alguns dias, enquanto meu braço postiço se habituasse ao organismo.
Era uma prótese orgânica em esqueleto de aço.
Fui para casa,e lá fiquei olhando fixo para a janela que dava para o outro lado da rua.
Onze horas e fiquei esperando no mesmo lugar.
O sangue ainda estava lá,afinal eu que devia tê-lo limpado.
Estranho não cumprir uma tarefa, todos em país faziam seus trabalhos assiduamente e sem erros,
Acho que fui o primeiro a burlar.
Essa deve ser a sensação de indiferença.
O lobo vem através da mata, com seus dentes limpos,mas com sangue ainda na língua.
"Se você não acordar, então não necessitará de um coração."
Após a última frase comprimiu o tórax e se preparou para beber meu sangue.
O medo me cobriu com seu véu negro e sussurrou morte nos meus ouvidos.
O lobo veio voraz novamente.
Então freou,quando a estátua do anjo atrás de mim ordenou. Então todas se viraram e repetiram em coro :
"Fora, a espada levará seus filhos e, dentro, o terror se instalará. Todos perecerão: o jovem e a donzela, a criança de peito e o velho de cabelos brancos."
Todas se quebraram e revelaram espadas no interior.
Estiquei minha mão sem olhar para trás e saquei a espada que dava estrutura ao anjo de mármore.
O lobo avançou como se não comesse há dias.
E saltou.
Num momento,num flash, e no meio giro de meu braço armado, arranquei fora sua cabeça.
O sangue manchou todo o gramado.
Ofeguei e então entendi.
Acordei.
Tirei a parte orgânica do meu braço e deixei a estrutura metálica que mais parecia uma garra.
Meus lábios se arquejaram pela satisfação do meu corpo.
Chama-se sorriso.
Andei para fora do cemitério e comecei a enterrar a minha espada no peito de todos que eu via.
Ninguém reagiu, não estavam acostumados com assassinato; tampouco desviavam o caminho de medo.
Era tão natural.
E assim progredi até o centro,
Quanto mais sangue derramava mais me sentia...
Imperfeito.
Como uma sociedade deve ser,perfeita.
Não há guerra,não há crime,não há dor.
Vivemos afastados de todo o mundo ganancioso,corrupto e egoísta.
Mortes naturais,doenças controladas e vida saudável e longa.
Tudo devido a nosso grande monarca, Rei Thomas.
O respeitamos como se fosse Deus
E tememos como se fosse o Demônio.
Allan,este é meu nome.
Minha função é cavar túmulos para abrigar os corpos das pessoas que morrem,
Essa é uma tradição popular nossa.
Sou coveiro.
Gosto de minha profissão, é calma e silenciosa, até demais às vezes, admito.
Moro na rua através do cemitério em que trabalho,torna-se cômodo para ir ao trabalho.
Nove e meia, hora de continuar meu serviço.
Três horas seguidas abrindo valas, fazendo rondas e olhando estátuas de anjos.
Parei apenas porque uma delas decidiu falar comigo.
Apenas a cabeça de mármore virou-se para falar,com olhos mortos que piscavam
E lábios vazios que se mexiam.
Disse-me : "A terra está corrompidas aos olhos de Deus,e cheia de violência."
Virou-se e voltou a ser estátua.
Continuei naturalmente meu trabalho,
Mas a cena repetia-se periodicamente em minha cabeça e me fazia suar e perder concentração.
Olhos para um lado,para o outro.Inquieto.
Meia-noite, avisa o relógio da capital. Minha noite está longe de acabar,e as memórias começam a se sentirem acudas pela nova e incômoda.
De repente surge um lobo das altas moitas entre as sepulturas.
Encara e anda devagar,majestoso.Estava pronto para avançar,
Mas sua boca não rosnou,
Falou.
"Sentiste medo ?", perguntou.
Afirmei com a cabeça, mas o resto do corpo paralisado.
"Então estás vivo." Concluiu.
Ligeiro,voraz e desumano como poderia ser, arrancou em uma mordida meu braço esquerdo.
Não pude gritar.Nem quis.
Sangrei,sangrei e meu sangue escorria de seus dentes pontudos e estava em sua língua ,quando tornou a falar :
"Sei que está vivo,então. Amanhã volto para ver se acordou." E retornou por onde veio.
Desmaiei.
No hospital todos passavam, inexpressivos.
Me dei conta que meu rosto se contorceu bastante durante ontem à noite.
O médico disse que se chama sensação, provocada pela dor
Ou pelo medo.
Disse para ficar em casa alguns dias, enquanto meu braço postiço se habituasse ao organismo.
Era uma prótese orgânica em esqueleto de aço.
Fui para casa,e lá fiquei olhando fixo para a janela que dava para o outro lado da rua.
Onze horas e fiquei esperando no mesmo lugar.
O sangue ainda estava lá,afinal eu que devia tê-lo limpado.
Estranho não cumprir uma tarefa, todos em país faziam seus trabalhos assiduamente e sem erros,
Acho que fui o primeiro a burlar.
Essa deve ser a sensação de indiferença.
O lobo vem através da mata, com seus dentes limpos,mas com sangue ainda na língua.
"Se você não acordar, então não necessitará de um coração."
Após a última frase comprimiu o tórax e se preparou para beber meu sangue.
O medo me cobriu com seu véu negro e sussurrou morte nos meus ouvidos.
O lobo veio voraz novamente.
Então freou,quando a estátua do anjo atrás de mim ordenou. Então todas se viraram e repetiram em coro :
"Fora, a espada levará seus filhos e, dentro, o terror se instalará. Todos perecerão: o jovem e a donzela, a criança de peito e o velho de cabelos brancos."
Todas se quebraram e revelaram espadas no interior.
Estiquei minha mão sem olhar para trás e saquei a espada que dava estrutura ao anjo de mármore.
O lobo avançou como se não comesse há dias.
E saltou.
Num momento,num flash, e no meio giro de meu braço armado, arranquei fora sua cabeça.
O sangue manchou todo o gramado.
Ofeguei e então entendi.
Acordei.
Tirei a parte orgânica do meu braço e deixei a estrutura metálica que mais parecia uma garra.
Meus lábios se arquejaram pela satisfação do meu corpo.
Chama-se sorriso.
Andei para fora do cemitério e comecei a enterrar a minha espada no peito de todos que eu via.
Ninguém reagiu, não estavam acostumados com assassinato; tampouco desviavam o caminho de medo.
Era tão natural.
E assim progredi até o centro,
Quanto mais sangue derramava mais me sentia...
Imperfeito.
sábado, 25 de janeiro de 2014
A Casa - Capítulo I
"Alice era jovem desolada que batia à minha porta.O rostinho seco e perdido dizia tudo.Ela queria um lugar para ficar.E ficará.
Levei-a para a sala e ofereci chá e esse bolo que estava na dispensa.
Contou-me toda sua vida amorosa e lua-de-mel fracassada.Fingi estar atento,mas estava concentrado na bolsa dela e o que havia lá dentro.Segredos de mulher vão além.
Ela chorou um pouco e pediu desculpas.Previsível,tanto quanto que ia ficar receosa por dormir em uma casa tão velha até o outro dia.
Carro atolado.Desespero.
Fui limpar pratos e xícaras e me desculpei por não haver algo para passar o tempo.
Quase deixei o bisturi a a agulha cair do bolso do robe.
Me juntei a ela,que se convenceu de ficar.
Seu rosto quase ficara mais lívido até ouvir gemidos e barulho do assoalho de madeira.
Tensão.
Porta do porão se abre e um jovem e sujo rapaz sai de lá,para completar nossa reunião.
Medo começa a sussurra no ouvido da moça e o rapaz olha confuso e assustado.
Mas as portas já estão trancadas,
E a agulha cheia de líquido transparente."
Levei-a para a sala e ofereci chá e esse bolo que estava na dispensa.
Contou-me toda sua vida amorosa e lua-de-mel fracassada.Fingi estar atento,mas estava concentrado na bolsa dela e o que havia lá dentro.Segredos de mulher vão além.
Ela chorou um pouco e pediu desculpas.Previsível,tanto quanto que ia ficar receosa por dormir em uma casa tão velha até o outro dia.
Carro atolado.Desespero.
Fui limpar pratos e xícaras e me desculpei por não haver algo para passar o tempo.
Quase deixei o bisturi a a agulha cair do bolso do robe.
Me juntei a ela,que se convenceu de ficar.
Seu rosto quase ficara mais lívido até ouvir gemidos e barulho do assoalho de madeira.
Tensão.
Porta do porão se abre e um jovem e sujo rapaz sai de lá,para completar nossa reunião.
Medo começa a sussurra no ouvido da moça e o rapaz olha confuso e assustado.
Mas as portas já estão trancadas,
E a agulha cheia de líquido transparente."
A Casa - Epílogo.
"Silencioso demais.
Morto,cheio de pó e pronto para receber mais deles.Eles virão,estou certo.Sinto em meu sangue velho.
Meu piano está precisando de sua manutenção,minha chaminé suja e devia eu ter outro jardim.
Que não sejam preguiçosos,nem ativos demais.
O sótão...Sim,ele vai ficar feliz em receber carne nova,já há bastante tempo desde a última vez.Devo tentar arrumá-lo se minha saúde permitir.Envelhecer é difícil,ao mais que sozinho.
Hora de ligar meu fiel companheiro.Mosca na lâmpada.
Poeira sobe,tusso bastante.Vou precisar de remédios.Há alguns em minha biblioteca.
Me lembrei que a cerca também está em estado péssimo estado,desnivelada.Há muito o que fazer.
Por falar nisso,barulhos na cerca lá fora.
Parece que o primeiro chegou.
Homem.Cabelos longos,magro.
Porão.
Estou cansado,mas ele não pode me ajudar está desacordado..
Barulhos na porta da frente.Alguém quer atenção.
O segundo chegou.
Ah,uma dama.
Começamos aqui."
Morto,cheio de pó e pronto para receber mais deles.Eles virão,estou certo.Sinto em meu sangue velho.
Meu piano está precisando de sua manutenção,minha chaminé suja e devia eu ter outro jardim.
Que não sejam preguiçosos,nem ativos demais.
O sótão...Sim,ele vai ficar feliz em receber carne nova,já há bastante tempo desde a última vez.Devo tentar arrumá-lo se minha saúde permitir.Envelhecer é difícil,ao mais que sozinho.
Hora de ligar meu fiel companheiro.Mosca na lâmpada.
Poeira sobe,tusso bastante.Vou precisar de remédios.Há alguns em minha biblioteca.
Me lembrei que a cerca também está em estado péssimo estado,desnivelada.Há muito o que fazer.
Por falar nisso,barulhos na cerca lá fora.
Parece que o primeiro chegou.
Homem.Cabelos longos,magro.
Porão.
Estou cansado,mas ele não pode me ajudar está desacordado..
Barulhos na porta da frente.Alguém quer atenção.
O segundo chegou.
Ah,uma dama.
Começamos aqui."
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Em algum lugar na escuridão.
Dois dedos de uma bebida quente
Para descer a amargura da rotina,
E ser engolido pelas trevas da madrugada
De repente.
Ruas sem esperanças nem iluminação
Caminho vagaroso e pesado
Turvo piche que infecciona o sapato
E o coração.
Situações corriqueiras que vão devorar dinheiro,
Absorver almas jovens e sobreviver
Nas vértebra de uma sociedade autodestrutiva,
Que se organiza entra e filas e empilha papeis com ordens.
Correto e justo demais para ser verdade
Sem liberdade aparente,portão que se abre só
Casa abandonadas que resmungam vozes antigas,
E seus quadros que observam.
Ponto branco que devia trazer luz à canoa
Está tão lânguida que mal se move,
Doente,mas com radiação própria
Rainha de folhas como coroa.
Vestido branco e enlameado em sua bainha
Monarca que não defende soldados
Nem exige joias cristalizadas
Só as folhas que te tornam rainha.
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