"Alice era jovem desolada que batia à minha porta.O rostinho seco e perdido dizia tudo.Ela queria um lugar para ficar.E ficará.
Levei-a para a sala e ofereci chá e esse bolo que estava na dispensa.
Contou-me toda sua vida amorosa e lua-de-mel fracassada.Fingi estar atento,mas estava concentrado na bolsa dela e o que havia lá dentro.Segredos de mulher vão além.
Ela chorou um pouco e pediu desculpas.Previsível,tanto quanto que ia ficar receosa por dormir em uma casa tão velha até o outro dia.
Carro atolado.Desespero.
Fui limpar pratos e xícaras e me desculpei por não haver algo para passar o tempo.
Quase deixei o bisturi a a agulha cair do bolso do robe.
Me juntei a ela,que se convenceu de ficar.
Seu rosto quase ficara mais lívido até ouvir gemidos e barulho do assoalho de madeira.
Tensão.
Porta do porão se abre e um jovem e sujo rapaz sai de lá,para completar nossa reunião.
Medo começa a sussurra no ouvido da moça e o rapaz olha confuso e assustado.
Mas as portas já estão trancadas,
E a agulha cheia de líquido transparente."
sábado, 25 de janeiro de 2014
A Casa - Epílogo.
"Silencioso demais.
Morto,cheio de pó e pronto para receber mais deles.Eles virão,estou certo.Sinto em meu sangue velho.
Meu piano está precisando de sua manutenção,minha chaminé suja e devia eu ter outro jardim.
Que não sejam preguiçosos,nem ativos demais.
O sótão...Sim,ele vai ficar feliz em receber carne nova,já há bastante tempo desde a última vez.Devo tentar arrumá-lo se minha saúde permitir.Envelhecer é difícil,ao mais que sozinho.
Hora de ligar meu fiel companheiro.Mosca na lâmpada.
Poeira sobe,tusso bastante.Vou precisar de remédios.Há alguns em minha biblioteca.
Me lembrei que a cerca também está em estado péssimo estado,desnivelada.Há muito o que fazer.
Por falar nisso,barulhos na cerca lá fora.
Parece que o primeiro chegou.
Homem.Cabelos longos,magro.
Porão.
Estou cansado,mas ele não pode me ajudar está desacordado..
Barulhos na porta da frente.Alguém quer atenção.
O segundo chegou.
Ah,uma dama.
Começamos aqui."
Morto,cheio de pó e pronto para receber mais deles.Eles virão,estou certo.Sinto em meu sangue velho.
Meu piano está precisando de sua manutenção,minha chaminé suja e devia eu ter outro jardim.
Que não sejam preguiçosos,nem ativos demais.
O sótão...Sim,ele vai ficar feliz em receber carne nova,já há bastante tempo desde a última vez.Devo tentar arrumá-lo se minha saúde permitir.Envelhecer é difícil,ao mais que sozinho.
Hora de ligar meu fiel companheiro.Mosca na lâmpada.
Poeira sobe,tusso bastante.Vou precisar de remédios.Há alguns em minha biblioteca.
Me lembrei que a cerca também está em estado péssimo estado,desnivelada.Há muito o que fazer.
Por falar nisso,barulhos na cerca lá fora.
Parece que o primeiro chegou.
Homem.Cabelos longos,magro.
Porão.
Estou cansado,mas ele não pode me ajudar está desacordado..
Barulhos na porta da frente.Alguém quer atenção.
O segundo chegou.
Ah,uma dama.
Começamos aqui."
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Em algum lugar na escuridão.
Dois dedos de uma bebida quente
Para descer a amargura da rotina,
E ser engolido pelas trevas da madrugada
De repente.
Ruas sem esperanças nem iluminação
Caminho vagaroso e pesado
Turvo piche que infecciona o sapato
E o coração.
Situações corriqueiras que vão devorar dinheiro,
Absorver almas jovens e sobreviver
Nas vértebra de uma sociedade autodestrutiva,
Que se organiza entra e filas e empilha papeis com ordens.
Correto e justo demais para ser verdade
Sem liberdade aparente,portão que se abre só
Casa abandonadas que resmungam vozes antigas,
E seus quadros que observam.
Ponto branco que devia trazer luz à canoa
Está tão lânguida que mal se move,
Doente,mas com radiação própria
Rainha de folhas como coroa.
Vestido branco e enlameado em sua bainha
Monarca que não defende soldados
Nem exige joias cristalizadas
Só as folhas que te tornam rainha.
sábado, 11 de janeiro de 2014
Os Sonhos.
"São os fragmentos de miséria existencial,são os cacos de sofrimento ou as ruínas da mente partida que são sugados pelo Esquecimento ou esmagados pela rotina.
Nada é suficiente.
Ciclo miserável que nos cria para morrer e faz todos suportarem o inferno sozinhos,mesmo quando a saída está do lado.
Saída é a primeira tentação e fugir o primeiro pecado.
Pecado não é erro.
Quieto,escuro e voraz.Seu pesadelo tem dentes e garras.Cuide bem dele, é cria sua.
Alimente-o ao menos uma vez ao mês e não se assuste, porque só irá restar seu medo.
Medo sufocante viscoso.
Manhã que vem cavalgando do oeste com a biga de Apolo.Legião do alívio são os raios de sol.
Escuridão volta para baixo da cama e espreita até a noite com seus olhos abertos.
Nossa conexão é forte e não me deixa fugir para o esquecimento.
Brisa da manhã lava minha alma e o sol olha por mim.
Olhos abertos.
Calor suave emana dos raios da tarde e beija minha pele.Calma é minha Rainha e silêncio meu Rei.
Pôr-do-sol.
Devagar, constante e de um escarlate vivo,cor de sangue, o mesmo sangue que vejo em meus sonhos todas as noites.
Escuridão rasteja para fora da cama.
Hora de dormir."
Nada é suficiente.
Ciclo miserável que nos cria para morrer e faz todos suportarem o inferno sozinhos,mesmo quando a saída está do lado.
Saída é a primeira tentação e fugir o primeiro pecado.
Pecado não é erro.
Quieto,escuro e voraz.Seu pesadelo tem dentes e garras.Cuide bem dele, é cria sua.
Alimente-o ao menos uma vez ao mês e não se assuste, porque só irá restar seu medo.
Medo sufocante viscoso.
Manhã que vem cavalgando do oeste com a biga de Apolo.Legião do alívio são os raios de sol.
Escuridão volta para baixo da cama e espreita até a noite com seus olhos abertos.
Nossa conexão é forte e não me deixa fugir para o esquecimento.
Brisa da manhã lava minha alma e o sol olha por mim.
Olhos abertos.
Calor suave emana dos raios da tarde e beija minha pele.Calma é minha Rainha e silêncio meu Rei.
Pôr-do-sol.
Devagar, constante e de um escarlate vivo,cor de sangue, o mesmo sangue que vejo em meus sonhos todas as noites.
Escuridão rasteja para fora da cama.
Hora de dormir."
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Fracasso,reparação e silêncio.
"Que me desse o prazer pequeno de lavar seus pés na margem do rio.Mas espio em silêncio,almejando sua inocência magnética e umedecendo os lábios,num reflexo luxurioso.
Não é meu amor desejando,mas só os gritos silenciosos para reparar meu fracasso,que tem seu nome cifrado.
Escuro,frio e solitário se faz a noite do amargurado.Comer nunca é o bastante nem beber jarras de vinho mediterrâneo que atordoam e acentuam com sabor essa sensação que não abandona minha garganta.Olho pela janela e vejo.Vejo cegamente os pequenos problemas que o mundo dá atenção mas não se curva ao meu sofrimento.De que vale as grandes guerras se os cadáveres não se curvam à suas coroas ? Vale todo o mísero dinheiro que pode existir;pois então que os poderosos aprendam a fazer amor com o ouro.Acabo de reparar no fracasso humano,mas fico em silêncio.
Tempestade de neve castiga minha província,e pinta em branco minha noite que insiste em ser negra e penumbrosa pelo fogo das velas na minha mesa.Assopro acidental e uma vela se apaga.O poderoso fogo,cai na primeira investida,e fazem os as outras chamas dançarem receosas.Assim me conformo : Não existe magnitude inatingível nem fortaleza inexpugnável.Então por que não cai ao chão,maldito ego ?
Sono e embriaguez me atormentam e enfraquecem para que eu não reaja.Não reajo à natureza,tampouco consigo contra meu próprio coração fraco.Porém o orgulho berra de dentro para fora, e exige sua merecida parte no que me protegeu da cruel compaixão esses anos todos.Meu coração está assustado,mas não há fuga para fora do peito,então decide morrer com dignidade,sem reagir nem suplicar.
Aço,sangue,chão.
Uma barra de saia,e pés estreitos recém lavados.Sons confusos,gotas de sangue,ela morre por me amar secretamente.
Meu fracasso,sua reparação,nosso silêncio.
Não é meu amor desejando,mas só os gritos silenciosos para reparar meu fracasso,que tem seu nome cifrado.
Escuro,frio e solitário se faz a noite do amargurado.Comer nunca é o bastante nem beber jarras de vinho mediterrâneo que atordoam e acentuam com sabor essa sensação que não abandona minha garganta.Olho pela janela e vejo.Vejo cegamente os pequenos problemas que o mundo dá atenção mas não se curva ao meu sofrimento.De que vale as grandes guerras se os cadáveres não se curvam à suas coroas ? Vale todo o mísero dinheiro que pode existir;pois então que os poderosos aprendam a fazer amor com o ouro.Acabo de reparar no fracasso humano,mas fico em silêncio.
Tempestade de neve castiga minha província,e pinta em branco minha noite que insiste em ser negra e penumbrosa pelo fogo das velas na minha mesa.Assopro acidental e uma vela se apaga.O poderoso fogo,cai na primeira investida,e fazem os as outras chamas dançarem receosas.Assim me conformo : Não existe magnitude inatingível nem fortaleza inexpugnável.Então por que não cai ao chão,maldito ego ?
Sono e embriaguez me atormentam e enfraquecem para que eu não reaja.Não reajo à natureza,tampouco consigo contra meu próprio coração fraco.Porém o orgulho berra de dentro para fora, e exige sua merecida parte no que me protegeu da cruel compaixão esses anos todos.Meu coração está assustado,mas não há fuga para fora do peito,então decide morrer com dignidade,sem reagir nem suplicar.
Aço,sangue,chão.
Uma barra de saia,e pés estreitos recém lavados.Sons confusos,gotas de sangue,ela morre por me amar secretamente.
Meu fracasso,sua reparação,nosso silêncio.
domingo, 22 de dezembro de 2013
A Tempestade.
Só versos expressam, crônicas servem para matar, mas propósito devido, ao passo que seu coração cheira a sangue e aço novo.Tudo muito quente e perfeitamente corrido.
"Incompreensível.A palavra é incompreensível.
Olhos só deviam servir para enxergar, mas capturam atenções e expressam a linguagem da alma.
Boca para alimentar-se e respirar,mas filtram suas palavras justapostas na voz de Musa.
Corpo que deveriam sobreviver aprisiona e faz sofrer devagar.
Ventos uivam lá fora, e você incendeia aqui dentro.
Porém a noite esta quieta e nada acontece, só umas solitárias no céu,tais se chamam estrelas.
Iluminam os caminhos dos viajantes e rodam em torno de uma maior.
Noite adentro, e frio suave.Toque macio e arrepios.Mão gélida.Coração gélido.
Furacão,tornado,nevasca e Deuses em forma de natureza.
Relâmpagos,trovões,e nós,deitados na relva contando os pingos da chuva da chuva.
Um abraço e choro.Perguntas caladas sobre existência e justiça.
Nascimento sujo e chuva que devia limpá-lo, pois só os loucos saem na chuva da madrugada,mas não os loucos,os corajosos em limpar a própria alma.
Você renasce com o raio de sol primo da manhã e eu assisto sua tempestade baixar junto com suas pálpebras molhadas."
"Incompreensível.A palavra é incompreensível.
Olhos só deviam servir para enxergar, mas capturam atenções e expressam a linguagem da alma.
Boca para alimentar-se e respirar,mas filtram suas palavras justapostas na voz de Musa.
Corpo que deveriam sobreviver aprisiona e faz sofrer devagar.
Ventos uivam lá fora, e você incendeia aqui dentro.
Porém a noite esta quieta e nada acontece, só umas solitárias no céu,tais se chamam estrelas.
Iluminam os caminhos dos viajantes e rodam em torno de uma maior.
Noite adentro, e frio suave.Toque macio e arrepios.Mão gélida.Coração gélido.
Furacão,tornado,nevasca e Deuses em forma de natureza.
Relâmpagos,trovões,e nós,deitados na relva contando os pingos da chuva da chuva.
Um abraço e choro.Perguntas caladas sobre existência e justiça.
Nascimento sujo e chuva que devia limpá-lo, pois só os loucos saem na chuva da madrugada,mas não os loucos,os corajosos em limpar a própria alma.
Você renasce com o raio de sol primo da manhã e eu assisto sua tempestade baixar junto com suas pálpebras molhadas."
Claustrofobia.
"Eu poderia morrer por você.Só não te conheço.
Cárcere sem tamanho,proporção ou respeito.Não vejo seu fim, e procuro pelo começo.
Dei-te o meu coração,minha alma e todo meu amor.Tijolo não retribui beijos.
Paredes sólidas e totalmente intangíveis, me permitem uma brecha para que eu possa suspirar pelo mundo que não possuo.
Acordo.Não me lembro de ter dormido,mas o tempo desvia seu curso deste cárcere, e minhas noções são totalmente dedicadas a estas muretas frívolas.
Socos na parede como pulsações.
Memória que corrompida pela ação do esquecimento,meu único amigo.Amigo sim,me faz desabafar e queimar minhas memórias para que a dor seja reduzida.
Memória acordou e invadiu meu exílio precioso para me torturar e fazer-me sentir dor de novo.
Mãos frias e brancas,pés estreitos e graciosos e meu coração que palpitava em sua própria língua.Agora palpita de novo,porém mais forte ao passo que minhas saudades consomem minha alegria de ficar a sós com minha imagem em forma de parede.
Fogo se ergue,e você era tão fria.Eu amava.
Agora esse fogo queima a areia do meu próprio deserto e a transforma em vidro.
Só consigo me ver no vidro.Talvez porque só exista a mim.
E minhas lágrimas solitárias."
Cárcere sem tamanho,proporção ou respeito.Não vejo seu fim, e procuro pelo começo.
Dei-te o meu coração,minha alma e todo meu amor.Tijolo não retribui beijos.
Paredes sólidas e totalmente intangíveis, me permitem uma brecha para que eu possa suspirar pelo mundo que não possuo.
Acordo.Não me lembro de ter dormido,mas o tempo desvia seu curso deste cárcere, e minhas noções são totalmente dedicadas a estas muretas frívolas.
Socos na parede como pulsações.
Memória que corrompida pela ação do esquecimento,meu único amigo.Amigo sim,me faz desabafar e queimar minhas memórias para que a dor seja reduzida.
Memória acordou e invadiu meu exílio precioso para me torturar e fazer-me sentir dor de novo.
Mãos frias e brancas,pés estreitos e graciosos e meu coração que palpitava em sua própria língua.Agora palpita de novo,porém mais forte ao passo que minhas saudades consomem minha alegria de ficar a sós com minha imagem em forma de parede.
Fogo se ergue,e você era tão fria.Eu amava.
Agora esse fogo queima a areia do meu próprio deserto e a transforma em vidro.
Só consigo me ver no vidro.Talvez porque só exista a mim.
E minhas lágrimas solitárias."
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