sábado, 15 de junho de 2013

Desespero.

"Aos cantos que atravessaram os séculos,
 Insípidos de alegria e acorrentados pelo temor
 Voraz da alma, o lobo se esconde na pele do cordeiro;
 As canções que se satisfazem com as lágrimas comovidas
 De Rainhas e princesas, são o latíbulo do medo.

 Medo castiço de um cheiro que nunca mais volta,
 Medo sacro e cortês do amor saudoso,
 Medo da rejeição e do desprezo,
 Medo da deleitosa solidão.

 O desespero uiva ao som de harpas e bandolins,
 As sensações entornam-se e se agravam,
 O que um dia já foi amor sufoca e reprime com força.

O sujeito, às sós com sua angústia, clama por um
Coração que nunca te pertenceu,
E chora por uma mão que nunca foi tua."

terça-feira, 21 de maio de 2013

Sombras no Sol.

" A princípio da ascensão diária das trevas ,que ocorre todos os dias; milhares de vozes se calam e de almas sossegam em todo o mundo. Obviamente essas trevas que libertam o teor dos sonhos mais íntimos, também libertam os terrores aprisionados nos corações.Esse é o caso de Alessandro.
  Numa destas belas noites qualquer, podia-se observar a da janela da casa do jovem Alessandro sua mãe preparando-o para dormir.Tenho medo da noite,dizia ele.A mãe apenas sorriu ,deu-lhe um beijo de boa noite e despediu-se,levando a luz do quarto consigo.
  Passada a primeira hora,o garoto atolado em seus mais temerosos devaneios quando viu passar pela janela um vulto de origem duvidosa.Certamente que Alessandro fora consumido por uma enxurrada de medo,mas que logo sanou-se ao avistar uma árvore com galhos que dançavam ao vento.
  Na segunda hora,ela ainda não havia alcançado o estado de sono ,devido às suas psicoses noturnas; que acabavam de ser reforçadas ao reparar um par de olhos fixos observando pelo canto escuro da sala...Queria correr para fechar a porta,mas só fez se esconder-se sob suas cobertas,e quando as ergues novamente,a sinistra imagem já não estava lá...Então praguejou em silêncio por suas ilusões noturnas e falta de sono.
  Alcançando a marca da terceira hora, já havia dormido desde o último susto,quando acordou de súbito com a sensação de algo por trás...Virou-se lentamente,com as batidas cardíacas contrastando com a calma do momento e no ponto que lançava seus olhos à figura...Aliviou-se,era sua mãe.Mas por que vestida em uma capa àquela hora ? Retomou suas expectativas de alerta e sentiu o sangue esfriar quando viu uma lâmina brilhante nas mãos dela e seu rosto semi tapado por uma capuz escorria lágrimas...Não de tristeza...De arrependimento.
  Um "me perdoe" ecoou lânguido dos lábios dela antes que enterrasse sua faca fria no peito da criança,que não gritou,não suspirou,não falou.Só sentiu o terror frio.

sábado, 18 de maio de 2013

Ode.


  Sinceramente, o que devo eu dizer ?
Não conheço os luxos da beleza grega,e quem dera ter nascido virado ao mar Egeu.
Nunca sequer sonhei com as formas das musas,e me inspirei ensandecido em seus caprichos...
Realmente nunca vi nada disso...Mas já vi-te , minha bela.

Já acompanhei tuas suaves formas da face desenharem um sorriso tão arrebatador , e me entreguei à surdina da sua vontade.
Mal soubeste você que desenho uma Deusa,e talvez a seja; fingindo em segredo que cada estrela no céu se desespera para aparecer como companhia do seu caminhar, e quando você sorri à elas dá-lhes a esperança de um dia agradá-la.
Que sejam pilhas da minha tolice...
...Mas é assim que te vejo.

domingo, 21 de abril de 2013

Indecisione.

" O caminhar da fera não assusta a caça.Os passos são suaves e naturais, os olhos da besta são tão fixos quanto vacilantes e seu jogo de assassinar é tão preciso quão a mais bem ensaiada das valsas, embalado pelo ritmo frenético e místico da natureza.
  A emoção da morte é tão necessário quanto o corpo de sua infeliz vítima martirizado em seus dentes e garras.O último suspiro de um ser mortal é tão sacro quanto sua jaz ida privacidade, e presenciá-lo torna-se tão saboroso quanto o experimentar do sangue quente.
  Mais uma caçada, tão simples como sempre deveria ser, pode acabar-se tornando o tripalium dos infernos.Tola esta fera que decide na mais lúcida de suas faculdades mentais caçar outro predador.
Tem que matar-se para matar.Sacrificar seu corpo são para conseguir seu troféu de caça e recurso de sobrevivência.
  Então do que vale essa empresa sem resultado ?
  Vale outro sentido,um novo.A descoberta de uma sensação sem precedentes na vida tão monótona. O prazer abrasador da indecisão corrosiva.A razão patética que faz chorar e rir a alma.
  Mas é nas rochas mais duras que se encontram os diamantes,e é essa a razão que faz o sacrifício ter sentido."

I.
  


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Dilectus.

"Das mais profundas trevas saem as luzes."

VOCÊ - Onde estou ? (Acorda em um lugar apático, sem luzes nem escuridão onde o silêncio briga com a loucura,então uma voz te responde.)

VOZ - Me diga o que é você.

VOCÊ - Não sei.

VOZ - Vou te ajudar a descobrir.Então me obedeça. Está vendo aquele fogo que arde sem cessar? Atire-se nele.

(Sem pensar duas vezes você se atira nas chamas... E elas queimam impiedosamente sua carne.)

VOZ - Ótimo. Agora siga por essa trilha.

(Novamente você obedece.)

VOCÊ - Vai demorar pra chegar? ( O cansaço somado às queimaduras incomodam muito.)

VOZ - Já chegamos. 

(Chega em um altar  e logo a voz te pergunta.)

VOZ - Me diga o que você quer ser.

VOCÊ - Quero ser um menino.

VOZ - Então serás uma menina.Agora continue.

(Mesmo cansado, irritado e frustrado você continua.)

VOZ - Sua última provação. Se atire desse penhasco e morra por mim.

(Morto de medo,raiva e dor, você pensa.)

VOZ - Não me decepcione.
 
(Então você pula.)

(Acorda em um altar colossal e voz começa.)

VOZ - Você provou ser fiel.Me odeia ?

VOCÊ - Sim.

VOZ - Mas eu te amei,te amo e sempre te amarei. Agora comece de verdade.

( Quando olha para baixo do altar;vê árvores, pessoas e um rio,então desce e e anda em direção.)

"Alguns só escolhem, outros só obedecem. Uns mais sábios escolhem obedecer." 








sábado, 16 de março de 2013

In Ultimum Piece.


  Agora é por volta da meia-noite, e os sinos da igreja dobram em suspiros melancólicos, como um coro formado por espíritos no auge de suas agonias eternas.A cidade aparenta estar morta, pois o único habitante que vejo é o silêncio que conforta os corações desesperados nas casas.
  Não consigo dormir, pois o sono teima em dançar livre por toda a casa ao invés de me ceder seu deleite : A passagem para o outro mundo, aonde os segredos são regra e ela é cumprida sem resistência.
  Observando pela janela vejo a mais perfeita harmonia de de cinza e branco, estagnando a paisagem e a transformando na valsa da solidão.É isso que se deve esperar de uma cidade dessas.
  Atormentado pela insônia e ensandecido por um chamado misterioso e atrativo, parto de encontro à dança da madrugada sem uma mínima expectativa ou ânsia, sendo guiado apenas pela beleza.
  Agora,no centro nervoso da cidade, sinto o frio me tocar, e como sem precedentes, me sinto sozinho de novo.
  De joelhos já por duas horas em frente à sede da prefeitura me pergunto : Aonde está essa peça que está faltando ?
  

Aonde está a peça que completa a todo nós ?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Mutaris.

"A grande tragédia da existência : a vida.
 O monólogo desprezível da evolução é arte que rege esse caminho.
 Sem fuga, a maneira é a encenação .

A plateia voraz que observa, mas não a arte em si, e sim a grandeza.
Esses homens e mulheres que esquecem que vivem em palco semelhante
Se empertigam aos risos da desgraça do erro.
Enquanto as máscaras do baile detém seus choros.

Motivado pelo primeiro ato, o artista brada suas falas e desafia o mundo,
Sem saber da besta que és o teu observador.
Comédia torna-se tragédia em segundos.

O artista paga pela experiencia com a desolação
E seus amores e esperanças jovens são esmagados pela ilusão.
Pela falsa ilusão,esqueceu que viver é essencial.

No terceiro ato ali estava ela,
Silenciosa como um trovão poético.
Óbvio que o artista se exibiu para ela.
Mostrou mais do que podia,
E o texto ficou fora de controle.

Ela só observou.

No final da peça, ela correu veemente atrás da moça
Mas se esqueceu que vive na companhia do medo.
E matou-se com sua ira.

K.