domingo, 21 de abril de 2013

Indecisione.

" O caminhar da fera não assusta a caça.Os passos são suaves e naturais, os olhos da besta são tão fixos quanto vacilantes e seu jogo de assassinar é tão preciso quão a mais bem ensaiada das valsas, embalado pelo ritmo frenético e místico da natureza.
  A emoção da morte é tão necessário quanto o corpo de sua infeliz vítima martirizado em seus dentes e garras.O último suspiro de um ser mortal é tão sacro quanto sua jaz ida privacidade, e presenciá-lo torna-se tão saboroso quanto o experimentar do sangue quente.
  Mais uma caçada, tão simples como sempre deveria ser, pode acabar-se tornando o tripalium dos infernos.Tola esta fera que decide na mais lúcida de suas faculdades mentais caçar outro predador.
Tem que matar-se para matar.Sacrificar seu corpo são para conseguir seu troféu de caça e recurso de sobrevivência.
  Então do que vale essa empresa sem resultado ?
  Vale outro sentido,um novo.A descoberta de uma sensação sem precedentes na vida tão monótona. O prazer abrasador da indecisão corrosiva.A razão patética que faz chorar e rir a alma.
  Mas é nas rochas mais duras que se encontram os diamantes,e é essa a razão que faz o sacrifício ter sentido."

I.
  


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Dilectus.

"Das mais profundas trevas saem as luzes."

VOCÊ - Onde estou ? (Acorda em um lugar apático, sem luzes nem escuridão onde o silêncio briga com a loucura,então uma voz te responde.)

VOZ - Me diga o que é você.

VOCÊ - Não sei.

VOZ - Vou te ajudar a descobrir.Então me obedeça. Está vendo aquele fogo que arde sem cessar? Atire-se nele.

(Sem pensar duas vezes você se atira nas chamas... E elas queimam impiedosamente sua carne.)

VOZ - Ótimo. Agora siga por essa trilha.

(Novamente você obedece.)

VOCÊ - Vai demorar pra chegar? ( O cansaço somado às queimaduras incomodam muito.)

VOZ - Já chegamos. 

(Chega em um altar  e logo a voz te pergunta.)

VOZ - Me diga o que você quer ser.

VOCÊ - Quero ser um menino.

VOZ - Então serás uma menina.Agora continue.

(Mesmo cansado, irritado e frustrado você continua.)

VOZ - Sua última provação. Se atire desse penhasco e morra por mim.

(Morto de medo,raiva e dor, você pensa.)

VOZ - Não me decepcione.
 
(Então você pula.)

(Acorda em um altar colossal e voz começa.)

VOZ - Você provou ser fiel.Me odeia ?

VOCÊ - Sim.

VOZ - Mas eu te amei,te amo e sempre te amarei. Agora comece de verdade.

( Quando olha para baixo do altar;vê árvores, pessoas e um rio,então desce e e anda em direção.)

"Alguns só escolhem, outros só obedecem. Uns mais sábios escolhem obedecer." 








sábado, 16 de março de 2013

In Ultimum Piece.


  Agora é por volta da meia-noite, e os sinos da igreja dobram em suspiros melancólicos, como um coro formado por espíritos no auge de suas agonias eternas.A cidade aparenta estar morta, pois o único habitante que vejo é o silêncio que conforta os corações desesperados nas casas.
  Não consigo dormir, pois o sono teima em dançar livre por toda a casa ao invés de me ceder seu deleite : A passagem para o outro mundo, aonde os segredos são regra e ela é cumprida sem resistência.
  Observando pela janela vejo a mais perfeita harmonia de de cinza e branco, estagnando a paisagem e a transformando na valsa da solidão.É isso que se deve esperar de uma cidade dessas.
  Atormentado pela insônia e ensandecido por um chamado misterioso e atrativo, parto de encontro à dança da madrugada sem uma mínima expectativa ou ânsia, sendo guiado apenas pela beleza.
  Agora,no centro nervoso da cidade, sinto o frio me tocar, e como sem precedentes, me sinto sozinho de novo.
  De joelhos já por duas horas em frente à sede da prefeitura me pergunto : Aonde está essa peça que está faltando ?
  

Aonde está a peça que completa a todo nós ?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Mutaris.

"A grande tragédia da existência : a vida.
 O monólogo desprezível da evolução é arte que rege esse caminho.
 Sem fuga, a maneira é a encenação .

A plateia voraz que observa, mas não a arte em si, e sim a grandeza.
Esses homens e mulheres que esquecem que vivem em palco semelhante
Se empertigam aos risos da desgraça do erro.
Enquanto as máscaras do baile detém seus choros.

Motivado pelo primeiro ato, o artista brada suas falas e desafia o mundo,
Sem saber da besta que és o teu observador.
Comédia torna-se tragédia em segundos.

O artista paga pela experiencia com a desolação
E seus amores e esperanças jovens são esmagados pela ilusão.
Pela falsa ilusão,esqueceu que viver é essencial.

No terceiro ato ali estava ela,
Silenciosa como um trovão poético.
Óbvio que o artista se exibiu para ela.
Mostrou mais do que podia,
E o texto ficou fora de controle.

Ela só observou.

No final da peça, ela correu veemente atrás da moça
Mas se esqueceu que vive na companhia do medo.
E matou-se com sua ira.

K.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Lua,Noite,Estrelas.

"E lá vem seu fantasma novamente.
 Não me preocupo,isso sempre acontece.
 Mergulhar nas memórias da paixão é padecer na dor.
 E lá vem a nostalgia...Novamente
 Dançando só na sala da casa e fingindo que minha sanidade ainda vive.
 Agora vejo toda a ferrugem no seu sorriso.
 E lá vem a libido novamente.
 Quão fúteis são os poetas que tentam materializar a sensação...
 Nada se compara ao gélido calor dos teus abraços.

 A tortura finalmente consome minha refinada gota de felicidade.
 Perdido em explicar a existência,
 Assim como o olho que não enxerga a si mesmo.

 Minha cabeça ainda espera sua resposta,
 Recostada no choro de anos de solidão.
 Corro para a loucura ,covardemente.
 Tendo em mente a certeza que nunca serei perdoado nem encontrado,
 Fico admirando o mundo passar devagar,
Como a pintura da Lua,
Da Noite
E das estrelas..."

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Colitur Sola Heros.

"Abandonado.
 Assim se sente quem acorda em meio ao vazio profundo das brumas do coração.
 Olha para os dois lados e só defronta teus fantasmas de decepção.
 Ergue a espada e agita contra o vento imortal.
 Brada sem sentido.
 Caminha durante dias nos pântanos de amargura súbita.
 Chega a um pasto Perene, aonde vês uma árvore ainda frutífera,e crianças ainda brincando    com sua inocência.
 De imediato a cabeça arde e, quando se depara com a visão aterradora da paisagem : O campo destruído e vozes que cochicham e riem em coro perverso, enquanto roça teu braço no corpo de uma criança jaz apodrecida e de corpo desfigurado por ação de Cronos.
 Chora.
 Se lamenta por ser impotente diante de sua carne.
 E a alma se deteriora lentamente enquanto os cães de seu tormento circulam seu amor já dominado pelo medo e pela psicose...A doce defesa da mente.
 Então a morte caminha devagar, aproxima dos olhos vazios e vê a chama que por muito foi   ignorada pelo desejo humano. 
 Desde já a vida tem um sentido...
 ...E esperança.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Acalme-se.

"Envolvido pela expectativa da noite
 E testado pelo frio inexplicável,
 Procuro na silêncio da graça
 A resposta que anseia meu gélido coração.

 Penso em devaneios tão reais
 Quanto a ilusão da verdade,
 Embora eu tenha sido cativado
 Nas curvas de um sorriso tão meigo.

 Tão desconcentrado pela lembrança do toque dos teus lábios
 Erro meus dias para sonhar em minhas noites,
 Que quase esqueço de
 Quem realmente sou.

 Não importa se o julgamento de minha mente
 For a tempestade dos tormentos,
 Você é o maior porto seguro."