quarta-feira, 26 de junho de 2013

Soneto à Ellie.

"Incessantes não são as dúvidas que atingem
 Os breves devaneios de um jovem coração.
 Incessantes é o charme de um sorriso teu,
 Tão bem desenhado que me custam a duvidar tal veracidade.

 Bastava já não ver-me reclamando ao Olimpo
 Suas belas musas,e num' ataque de leve comoção,
 Mandam a mim sua Rainha, até fazendo-me acreditar
 Que tal sonho deva ter um preço alto.

Uma brusca mudança do amor dessa musa me tira
Da tempestade; e seus caprichos inefáveis
Me arrastam pelo deserto do tempo.

Por fim, dói-me a agonia da espera,
E ensandecido de uma vontade tão inexplicável
De um simples afagar de cabelos teus."




sábado, 15 de junho de 2013

Desespero.

"Aos cantos que atravessaram os séculos,
 Insípidos de alegria e acorrentados pelo temor
 Voraz da alma, o lobo se esconde na pele do cordeiro;
 As canções que se satisfazem com as lágrimas comovidas
 De Rainhas e princesas, são o latíbulo do medo.

 Medo castiço de um cheiro que nunca mais volta,
 Medo sacro e cortês do amor saudoso,
 Medo da rejeição e do desprezo,
 Medo da deleitosa solidão.

 O desespero uiva ao som de harpas e bandolins,
 As sensações entornam-se e se agravam,
 O que um dia já foi amor sufoca e reprime com força.

O sujeito, às sós com sua angústia, clama por um
Coração que nunca te pertenceu,
E chora por uma mão que nunca foi tua."