quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Fracasso,reparação e silêncio.

 "Que me desse o prazer pequeno de lavar seus pés na margem do rio.Mas espio em silêncio,almejando sua inocência magnética e umedecendo os lábios,num reflexo luxurioso.
Não é meu amor desejando,mas só os gritos silenciosos para reparar meu fracasso,que tem seu nome cifrado.
  Escuro,frio e solitário se faz a noite do amargurado.Comer nunca é o bastante nem beber jarras de vinho mediterrâneo que atordoam e acentuam com sabor essa sensação que não abandona minha garganta.Olho pela janela e vejo.Vejo cegamente os pequenos problemas que o mundo dá atenção mas não se curva ao meu sofrimento.De que vale as grandes guerras se os cadáveres não se curvam à suas coroas ? Vale todo o mísero dinheiro que pode existir;pois então que os poderosos aprendam a fazer amor com o ouro.Acabo de reparar no fracasso humano,mas fico em silêncio.
  Tempestade de neve castiga minha província,e pinta em branco minha noite que insiste em ser negra e penumbrosa pelo fogo das velas na minha mesa.Assopro acidental e uma vela se apaga.O poderoso fogo,cai na primeira investida,e fazem os as outras chamas dançarem receosas.Assim me conformo : Não existe magnitude inatingível nem fortaleza inexpugnável.Então por que não cai ao chão,maldito ego ?
  Sono e embriaguez me atormentam e enfraquecem para que eu não reaja.Não reajo à natureza,tampouco consigo contra meu próprio coração fraco.Porém o orgulho berra de dentro para fora, e exige sua merecida parte no que me protegeu da cruel compaixão esses anos todos.Meu coração está assustado,mas não há fuga para fora do peito,então decide morrer com dignidade,sem reagir nem suplicar.
  Aço,sangue,chão.
  Uma barra de saia,e pés estreitos recém lavados.Sons confusos,gotas de sangue,ela morre por me amar secretamente.
  Meu fracasso,sua reparação,nosso silêncio.

domingo, 22 de dezembro de 2013

A Tempestade.

  Só versos expressam, crônicas servem para matar, mas propósito devido, ao passo que seu coração cheira a sangue e aço novo.Tudo muito quente e perfeitamente corrido.
 
"Incompreensível.A palavra é incompreensível.
Olhos só deviam servir para enxergar, mas capturam atenções e expressam a linguagem da alma.
Boca para alimentar-se e respirar,mas filtram suas palavras justapostas na voz de Musa.
Corpo que deveriam sobreviver aprisiona e faz sofrer devagar.

 Ventos uivam lá fora, e você incendeia aqui dentro.
Porém a noite esta quieta e nada acontece, só umas solitárias no céu,tais se chamam estrelas.
Iluminam os caminhos dos viajantes e rodam em torno de uma maior.

Noite adentro, e frio suave.Toque macio e arrepios.Mão gélida.Coração gélido.
Furacão,tornado,nevasca e Deuses em forma de natureza.
Relâmpagos,trovões,e nós,deitados na relva contando os pingos da chuva da chuva.

Um abraço e choro.Perguntas caladas sobre existência e justiça.
Nascimento sujo e chuva que devia limpá-lo, pois só os loucos saem na chuva da madrugada,mas não os loucos,os corajosos em limpar a própria alma.
Você renasce com o raio de sol primo da manhã e eu assisto sua tempestade baixar junto com suas pálpebras molhadas."

Claustrofobia.

"Eu poderia morrer por você.Só não te conheço.
Cárcere sem tamanho,proporção ou respeito.Não vejo seu fim, e procuro pelo começo.
Dei-te o meu coração,minha alma e todo meu amor.Tijolo não retribui beijos.
Paredes sólidas e totalmente intangíveis, me permitem uma brecha para que eu possa suspirar pelo mundo que não possuo.

Acordo.Não me lembro de ter dormido,mas o tempo desvia seu curso deste cárcere, e minhas noções são totalmente dedicadas a estas muretas frívolas.
Socos na parede como pulsações.
Memória que corrompida pela ação do esquecimento,meu único amigo.Amigo sim,me faz desabafar e queimar minhas memórias para que a dor seja reduzida.
Memória acordou e invadiu meu exílio precioso para me torturar e fazer-me sentir dor de novo.
Mãos frias e brancas,pés estreitos e graciosos e meu coração que palpitava em sua própria língua.Agora palpita de novo,porém mais forte ao passo que minhas saudades consomem minha alegria de ficar a sós com minha imagem em forma de parede.

Fogo se ergue,e você era tão fria.Eu amava.
Agora esse fogo queima a areia do meu próprio deserto e a transforma em vidro.
Só consigo me ver no vidro.Talvez porque só exista a mim.
E minhas lágrimas solitárias."

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Memórias De Um Viajante.

"Há sangue por toda minha mesa.
 Não sangue de vingança nem de morte fétida,
 Só o sangue do meu coração,
 Que uso como tinta
 Para contar-lhe meus anseios
 De um continente através do seu.

 Hão facas de prata na minha mesa.
 Não as que uso para apunhalar mercadores do norte,
 Só as que gasto em devaneios
 Escrevendo seu nome em minha mobília.

 Há neve no mundo lá fora
 E o fogo da lareira conversa com meu corpo,
 Aquecendo.
 E com meu espírito,
 Acalmando.

 A nevasca acalma e lucida o espírito,
 Assim como incendeia a pressa.
 Pressa que dizem ser inimiga da perfeição,
 Faz-me buscar o que não possui falha alguma.
 Sou perfeccionista por amar-te.

 O dia recomeça coberto de branco na paisagem.
 Mais um sol que vem ser paciente ao descongelar do horizonte,
 Às vozes que cantam sua ascensão diária,
 Aos túmulos que jazem as memórias dos caídos.
 A todos lamento.
 Abraço minha espada e retomo a caminhada,
 Rumo à direção que sua marca me orientar."



quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Diário Do Solitário.

"Acordar .Desafogar dos pesadelos constantes.
  Sol vazio e cheio de energia vazia ilumina todo o meu dia, mas o passo nas sombra e na penumbra,caçando minha sobrevivência crepitante.
  Como coisas mortas para sugar a suas vidas e aliviar minha gula bestificada. Bestificada e selvagem pela vida solitária que amargo.
  Floresta para a esquerda, deserto para a direita, e mar bem a minha frente. Mar que me libertaria, porém só me aprisiona em cárcere diferente.O mar esconde segredos.
  Nada a fazer, e como um garoto, pulo em lago raso que faz-se ouvir o ecoar do barulho de mergulho.Várias e várias vezes o mesmo barulho.Ninguém capta.Não há ninguém em lugar algum.
  A noite beija o horizonte e os invejo pelo crepúsculo erguido da demonstração de amor.
Trancafiado pela vontade de ter liberdade, então ergo uma moradia pomposa. Bibliotecas enormes,com livros em branco,e outros com diários ocos dos meus dias vazios.Falta algo que ainda não tive,se ao menos sei o que é possuir.
  Não durmo no limiar da noite, mas não pelos gritos e grasnidos de demônios que vivem a circular a casa, objetivos em matar; não durmo realmente pelos demônios que sussurram à esquerda do meu peito e são objetivos em dominar.Eles estão em todo lugar,protegendo um segredo.
  Dormir. Desafogar dos pesadelos ligeiros.
  Neve. Fria e branca que desliza suavemente pelo meu rosto, e me proporciona a noção em cor do meu objeto de ausência. Saudades é grafia do meu desespero,que jamais se valeu de algo para guardar eternamente para si. E guardaria somente na memória.Teria o meu segredo, no qual o mundo inteiro seria alheio e sentiria a mesma inveja que sinto dele pelos seus segredos infinitos.
  A sobrevivência só é interrompida pela falta de vontade de viver ou pela morte.E sendo assim, lutei com valentia,até quando os chacais do deserto me emboscam e não hesitam em me devorar.
  Morrer. Dar inícios e fim aos verdadeiros pesadelos."
 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Notas da noite.
  "Devaneios um pouco sem fôlego,mas fortes e concisos como devem ser o devaneios, principalmente esse que aspiram ao fim do caminho.Não quer dizer término nem começo novo, na verdade não quer dizer nada.
  Tudo porque a natureza sempre foi egoísta e não revela seus planos nem métodos para os verdadeiros curioso, que se aproveitam dela como símbolo de redenção por ser tão curioso e fraco.Com palavras silenciosas e gestos cifrados dançam ao embalar da noite de ventos que vem da montanha e carregam sussurros e juras que parecem ter-se desperdiçado ao momento, mas só é sentido com o sangue e com o tempo, ambos correndo quentes nas veias e nos caminhos da vida.
  Vaz encontrar-te perdido fora destes muros e essa floresta densa, mas que se torne interessante viver um dia após ao outro pelo gosto de lutar contra tudo e para todos."

sábado, 23 de novembro de 2013

Círculo da Luxúria.

  Luxúria.
  Foi tudo que Rei Minós disse após ter cheirado-me ao modo de um cão caçando sua presa frágil.Suas mãos com sangue seco misto ao novo que cai junto com enxofre todos os dias do Limbo.Assim começa uma vida no inferno.
  Violência, ganância, gula, ira são exemplos diversos de sentenças que o demônio bizarro profere às almas frescas.
  Luxúria é aonde fui condenado a passar toda a longa eternidade. Merecido local, ao ver-se que me aqueci a vida toda com mais leitos de mulheres do que com o próprio fogo.Tive minha esposa para amar e me derramar em seus olhos por toda a vida, mas foram os meus olhos que turvaram a pureza da minha alma em carna vida e prazerosa.
  Me emana da garganta o quinto canto em ciclos.Não há fogo,só tortura de corpos frios se misturando a clamores falsos e lamentos separados nos cantos, em que o cinza e o escarlate cobrem a paisagem semi iluminada e pintada a pinceladas ensandecidas de almas desesperadas e solitárias. Castigo justo para os que desrespeitaram a ciência natural da beleza e se lambuzaram desenfreadamente do pecado.
  Um fio tênue separa uma sensação de suavidade da pele da mulher que insiste em te fatiar com os olhos, a uma mulher que vai te fatiar com sua carne.Uma escolha não simples tampouco lógica muda o faro do cão Minós e te torna o imperdoável,porém punível.
  Escolha um círculo no inferno, e apodreça nele.
  Espero que me verdadeiro amor me perdoe.
 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Parasitas.

"Correndo,bem mais depressa do que se deseja.O mundo corre assim. Ganância não é um via de expressão do desejo nem uma libido que se corresponde com a matéria morta. Não basta ter, o necessário é sofrer para ter o que torna tudo mais saboroso.
  Olhos que falam muito se cegam e se fecham com uma facada. Na lâmina está a impessoalidade e a mão do cabo é o extremo de quem ama sem pudor de perfurar os rins de seu Amor.
  O Amor já está quase decomposto e com sinais de estupros recentes.Ele se levanta,desmontado e corrompe o ar com pragas sem rumo,mas faz uma acertar, e é cantada na língua que só a Vingança conhece e sabe ouvir.Vingança tem boa memória aliás.
  Mesmo sem forças ainda me arrasto de encontro a meus vícios e ons enfrento como quero ser livre para enfrentar o mundo.E então sinto o verme parasita mais voraz, a luxúria.Ela me consome e me faz consumir  ao que transcede a meu corpo,de maneira específica e desregulada.Me ensandece e aguça meus sentidos em torno do meu objetivo carnal.As rédeas do controle estão na mão de uma natureza que briga com o destino pela posse dos seres que sentem,são esses que realmente veem o mundo e modelam à sua maneira.
  Modelaria eu como deveria,mas os parasitam me drenam o sangue."

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Noite de Halloween.

"Qualquer lugar, quaisquer pessoa e uma teimosia. Elementos indispensáveis para se rechear uma noite de Halloween. Porém existem algumas brechas que fogem à regra e são antes de arrepiantes,perturbadoras."
  Pedir doces era comum em uma cidadezinha americana qualquer, e as tradições eram aquecidas com carinho e dedicação por ali.As crianças se vestiam de monstros e os adultos davam os doces com sorriso enorme quase encaixado no rosto.Tudo extremamente normal.
  Uma fatídica noite dessas e um garoto teve sua cabeça decepada sem o menor escrúpulo e jogada no meio da rua, naturalmente.A cabeça ainda estava com o capacete de abóbora e o sangue tingiu a rua e acentuou a cor da fantasia. Ao mesmo tempo podia ver-se uma mulher sendo queimada com gritos longos e dor insuportável só de ser assistida, e três mascarados supervisionavam a cena como se fosse um trabalho rotineiro. Um homem murmurava códigos estranhos em uma língua profana só de ser lançada ao ar livre.O barulho podia ser ouvido se chegasse perto de seu porão,e poderia ver-se pessoas se enforcarem nas árvores atrás da casa.
  Sem tomar conhecimento de um futuro destino, um viajante passava por ali ao ver alguns sinais de festejo e decidiu aventurar-se na cidadezinha.Luzes altas e alguns sorrisos alcançaram sua visão e reconfortaram sua cabeça de sua longa viagem,que vai acabar aqui.
  Andou pedindo educadamente algumas informações,mas fora ignorado veemente por qualquer um.Depois de um tempo sentia algo estranho por ali.Talvez fossem os mascarados que pareciam segui-lo desde que entrou la.Tentou despista-los e ir embora,e quando conseguiu,não encontrava a rua que dava acesso à saída da cidade.Ela parecia maior do que era na entrada.As luzes começaram a ser apagadas rapidamente e já não via-se mais crianças na rua.Uma sirene, simbólica e que fez o viajante suar e ter o coração disparado.Manteve-se calmo mas a sirene era ensurdecedora e não o permitia organizar as ideias.Começou a andar sem rumo e quis chegar a qualquer lugar que não fosse ali.
  Quando estava caminhando,olhava para todos os lados,pois haviam passos impressos em som e vultos leves.O suor começava a ficar mais intenso.
  Homens de preto a com máscaras,centenas deles apareciam de não se sabe aonde e paravam no momento em que miravam o viajante. Paravam e encaravam.Começaram a cantar música desordenada em língua estranha em fileiras que permitiam a passagem dele.Olhou um sujeito a ser esfaqueado a multidão se abriu para que visse o cadáver.Era ele.
  Virou-se para fugir,mas lá estava um homem com cabeça de bode que disse uma frase confusa que só pode ser ouvido um "voltar".
 Acordou do pesadelo em sua cama,e ficou satisfeito.Olhou para o relógio digital e viu um medalhão com um bode.Viu na extensão do quarto um homem mascarado o observando.Caminhou até a janela e atirou-se,iniciando o dia de Halloween."
 

sábado, 28 de setembro de 2013

Voltando Para Casa.

"Os pequenos intervalos das sinapses nervosas que carregam amargura e tristeza se estenderam à minha volta.Tocar o infinito com a ponta refinada do dedo arremata a ganância volúpia de garras e chifres que rosna em língua morta.
 Senti tudo nas extensões da minha pele.
 E agora volto para casa.
 A fachada continua corroída com ação do tempo,e que maravilhoso: Ainda ouço o coro dos mortos.
 Gemido de anos de ruína e confinamento do lado de dentro do desespero.
 Salão vazio e regido por poeira.
 E a pior parte vem agora, enquanto me apoio no canto de uma escada quebrada e torta e chicoteio minha dissipada felicidade usando memórias e saudades.
 Hão espíritos a vagar em meus cômodos e sussurrar meus pecados e tormentas íntimas em tons baixos e vozes roucas.
 Deitado a horas e cada vez mais afundado em breu de pensamentos e devaneios tangíveis, acendo velas para não ser engolido pelas trevas da manhã.
 Perdido em frustrações e apunhalando a esperança, me viro à janela e sinto o calor que salvará minha alma.

É o seu rosto angelical."

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Um Velho Amigo.

"Olá escuridão,meu velho amigo.
 Hoje estou a mercê de uma noite árida e sem chuva que pintaria a angústia que se refugia e sufoca todo o peito.O ódio me faz companhia aos socos e calúnias, e esbraveja em voz tão rouca e de refúgio inóspito que me traz segurança. E loucura.
 Meu amigo, acomode-se e conte sobre o tempo em que não te vejo.Não é desculpa ter sumido assim, a solidão permanece nas perfeitas condições de sua visita, que me faz muita falta.
 Nada de novo por aqui, as pessoas continuam fedendo a perfumes caros e se dilacerando loucamente em sorrisos que insistem em estampar no rosto como assinatura louca de pseudo-boa-educação.
 Sobre mim, estou envelhecendo rápido demais e que suas visitas me aliviavam do iminente sofrimento. A morte pode vir a qualquer hora e espero por ela sentado, cortando as comunicações com o mundo lá fora. Os sentimentos se esvanecem como uma vela em seu derradeiro suspiro de vida, e a raiva que sobra, essa pode até sentir-se o gosto na ponta da língua.
  Não há calor por aqui, só vozes. Cantam em ritmo leve e penetrante, com seus timbres de soprano tão fortes e duradouros que criam suas imagens singelas e perturbadoras, as quais são sombras que vagam sentindo o cheiro forte da minha alma moribunda.E em um momento vão encontrá-la.
  Foi um prazer ter-te aqui mais uma vez, meu velho amigo, volte sempre que desejar sugar uma importância de minha vida.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Amargura.

"Amargura é repreender os sonhos
Amargura é olhar nos seus olhos e perceber que não há mais brilho.
Amargura é bradar a raiva sem voz
Amargura é fazer do silêncio, seu maior grito.
Amargura é morrer sem ter vivido
Amargura é engolir em seco o que te machucou e machuca até hoje.
Amargura é desejar uma pessoa distante.
Amargura é obrigar sua ingenuidade, virar ironia.

Amargura é a ironia de um beijo trazido pela dama mais bela do negro capuz,
Que te arrasta pela eternidade sem memórias ou peso.

Eu não quero conhecer a doçura."

M&E.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Brama Sole

"Simplicidade.
As pesadas indústrias avançam em staccato , rumando ao dinheiro e ao progresso; avançando cada passo por cima de suaves colinas que já serviram de santuário para o sossego de corações irrompidos na tempestade.
Respiração.
Uma brisa do agosto italiano, carregando aromas distintos das árvore e vozes que cantam em tom terno e ritmizam as pulsações das veias.
Futuro.
O toque macio e cauteloso da grama se delonga às espirais dos pensamentos confusos e o silêncio que se instalara no ar torna as sensações mais nítidas, isso faz com que construamos uma singela ponte para o caminhar gracioso do sonho e que se tenha um fervoroso desejo por sol."

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O Leviatã.

"A Lenda do mar, cantada por muitos séculos em bares e ruas de cidades litorâneas da Irlanda, Inglaterra e até nas terras da América ; é uma história que prende e arrebata a atenção de crianças e ouvintes corriqueiros, mas provoca frio na espinha de qualquer trabalhador de navio pesqueiro e baleeiro, isso porque a lenda já foi vista por esse homens.
 Essa lenda é o poderoso Leviatã.
 O Leviatã ;dizem ser uma fera demoníaca em forma de baleia,que vira os navios e atrai os horrores do mar para perto dos que sobrevivem à queda, e persegue-os até não poderem mais nadar e se entregarem a uma morte agonizante.
 No meio de uma dessas conversas animadas de um certo restaurante humilde em um canto costeiro dos Estados Unidos, um grupo de jovens discutia calorosamente sobre possíveis testemunhas da fera marinha, até que um velho obsoleto no canto escuro do lugar grunhe confusas palavras e só pode ser entendido que ele já tinha visto o Leviatã.
 Se a intenção do velho de barba grande e grisalha era arrancar atenção dos rostos corados e vivos dos jovens americanos,de fato obteve êxito,e gravou em sua conquista um sinuoso sorriso de dentes amarelados.
 Contou histórias inéditas e ainda mais mirabolantes sobre como escapou por fiapos de seu encontro com a entidade ,e acabou arrancados suspiros boquiabertos dos mais céticos rapazes.
 Despediram-se do velho e prometeram voltar no dia seguinte para ouvirem mais.
Tarde da noite, as camas e cobertas já aquecem centenas de pessoas que tiveram dias carregados e atarefados, e os lampiões fazem suas vigílias reconfortantes nas ruas desertas.Todos os habitantes daquela cidades já se retiraram para descansar. Exceto um.
 Uma figura curva e sombria se arrastando no meio da noite,se dirigia ao cais.
 Estava chovendo, e os barulhos dos pingos chocando-se contra a capa de chuva da figura soavam auspiciosos e alertas.
 Um barco foi ocupado na madrugada,e levava um viajante o levou através de algumas sombrias águas,até aportar em uma gruta,com bastante água.
 Quando tirou sua capa de chuva, se mostrou o velho contador de histórias do restaurante.
 Trazia consigo uma bode velho. Tirou uma marreta do interior do barco e fadou com um só golpe o destino cruel daquele bode velho.
 Com o sangue desenhou formas distorcidas no chão e pôs um dos chifres quebrados no centro do desenho.
 Não bastou um palpitar do coração,e das água negras da gruta emergiu um ser enorme, em forma de baleia,porém com graves ferimentos infeccionados e infestados de vermes que transbordavam sua pele úmida e pútrida, e nem pareciam incomodá-la...
 O Leviatã era ainda mais horrendo que nas histórias,mas não por estar morto-vivo,mas por ser real.
 E sua sede de morte seria brevemente saciada, pois um navio pesqueiro da madrugada partia rumo ao seu destino incerto.
 E então a baleia mergulhou e sumiu no interior das águas umbrosas.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Pós-Vida.

"Esse silêncio é quase provocante...Ouço que chama por meu nome.
 Minhas memórias estão fracamente vagas e sinto que os ares da mudança não sopram em harmonia.
 Este lugar é extenso e vazio; caminho discretamente pela campina congelada, andando em círculos retos.
 Só não sei como vim parar aqui.

 Já ficou à noite por aqui, e com isso, apareceram vultos disforme de meus pesadelos. O tormento não chega a enlouquecer de vez, e seja como for, sinto-o aos poucos...
 Fiz uma fogueira e sentei-me em um lugar qualquer que não consigo detalhar bem,pois o implacável manto   do escuro cobre minha visão à frente e aos lados, e de que adiantar dizer que enxergo, se estou fadado às  trevas ? Vou tentar dormir.

 Acordo com os olhos pesados de tanto sono mal dormido devido ao terreno duro em que me acomodei.   Parece que o dia amanhece sem sol por aqui, o que explicaria o frio e a luminosidade restrita.
 Ando mais um pouco e sinto terrível fome, e quase como em resposta vejo uma árvore,com uma só maçã. Pego-a e quando dou a primeira voraz mordida, expurgo com violento nojo a fruta de minha boca; deveras justo,estava cheio de vermes. Mas o paladar não se engana como os olhos,e o sabor dos vermes parasitas é tão delicioso quanto a fruta, e então apanho-na do chão, e de joelhos mesmo devoro o repugnante banquete ,como um animal.

 Mais alguns passos preguiçoso de caminhada e meus pensamento apertam-se em árdua luxúria. Me lembro de minha amada Vitória e pergunto os troncos das árvores o que acontecera com ela,ou sonhava que ela estava ali. E algo estava,mas não era ela. Era uma mulher grotescamente deformada, como a união fracassada de dezenas de partes humanas. Eu amei-a de vista.
 Ela grunhia como um moribundo,e seu único olho sem pálpebras me fitava vagamente,e eu ia enlouquecendo de desejo viril pela criatura.Até que não resisti e fui a seu encontro,acariciei-a,afaguei como se fosse minha esposa.
Ah, minha belíssima esposa Vitória , meiga , estupendamente linda, com uma tez caramelada de dar inveja às mais abastadas Rainhas da Europa...E que dualidade,ver meu braço ser literalmente devorado pela fera que estava acariciando.
 O sangue escorria quente e lento, e lá vinha a dor.

Que minha alma começava a sentir o efeitos do inferno, e a angústia de ver que só passara dois minutos no pior de todos os lugares, mas agora estava em casa,no chão.
Havia sangue por todo o chão e meu braço de fato fora arrancado.Estava sujo e arranhado,com um gosto de vermes na boca.
Vitória estava ajoelhada ao meu lado,horrorizada e em choque.
 E este é uma pequena ponta do que me espera na morte."



quinta-feira, 4 de julho de 2013

Cães Do Inferno.

" Eu que tanto rezei para que o verão se mostrasse de vez, implacável e saborosamente quente; este mesmo eu já não suporta mais as gotas de chuva surrando a janela,e nela repousando esmagadas; escorrendo bem devagar.
  Nenhum sinal de vida humana lá fora, mas ruas estão repletas de espectros silenciosos e invisíveis, sempre destacando-se um grupo pequeno, esperando alguma vítima, para cortá-la com uma espada de frio,envolvê-la em uma capa de medo e atingi-la com setas de desespero arisco e frenético .Trabalho este, um tanto fácil para os espectros de medo, visto que os tempos são de violência e ostracismo domiciliar, ninguém mais se cumprimenta,se abraça, ou até mesmo tem uma agradável troca de ideias pela manhã; só temos chuva, mortes e fantasmas.
  Todas as noites,sento-me junto à janela e fico à espreita desses famigerados espectros, enquanto a chuva faz sua irritante e suave sinfonia. E foi em uma dessas noites, que vi os tais Cães Do Inferno ( passei a chamar assim os espectros, porque são três, como as cabeças do Cérbero ) atacando, um tal evento que é deveras raro de ser presenciado, pelo pequeno número de pessoas que saem à noite, com medo de ter medo.Sobre a cena que ocorreu, a visão inicialmente me chocou, pois eles não cercaram a vitima,como fazem usualmente, o que fizeram foi...
  Bem, vou terminar por aqui, eles estão atrás de mim "

Esse diário foi achado junto ao corpo dilacerado da moça, e embaixo do relato estava escritos com seus sangue :

CURIOSA


 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Soneto à Ellie.

"Incessantes não são as dúvidas que atingem
 Os breves devaneios de um jovem coração.
 Incessantes é o charme de um sorriso teu,
 Tão bem desenhado que me custam a duvidar tal veracidade.

 Bastava já não ver-me reclamando ao Olimpo
 Suas belas musas,e num' ataque de leve comoção,
 Mandam a mim sua Rainha, até fazendo-me acreditar
 Que tal sonho deva ter um preço alto.

Uma brusca mudança do amor dessa musa me tira
Da tempestade; e seus caprichos inefáveis
Me arrastam pelo deserto do tempo.

Por fim, dói-me a agonia da espera,
E ensandecido de uma vontade tão inexplicável
De um simples afagar de cabelos teus."




sábado, 15 de junho de 2013

Desespero.

"Aos cantos que atravessaram os séculos,
 Insípidos de alegria e acorrentados pelo temor
 Voraz da alma, o lobo se esconde na pele do cordeiro;
 As canções que se satisfazem com as lágrimas comovidas
 De Rainhas e princesas, são o latíbulo do medo.

 Medo castiço de um cheiro que nunca mais volta,
 Medo sacro e cortês do amor saudoso,
 Medo da rejeição e do desprezo,
 Medo da deleitosa solidão.

 O desespero uiva ao som de harpas e bandolins,
 As sensações entornam-se e se agravam,
 O que um dia já foi amor sufoca e reprime com força.

O sujeito, às sós com sua angústia, clama por um
Coração que nunca te pertenceu,
E chora por uma mão que nunca foi tua."

terça-feira, 21 de maio de 2013

Sombras no Sol.

" A princípio da ascensão diária das trevas ,que ocorre todos os dias; milhares de vozes se calam e de almas sossegam em todo o mundo. Obviamente essas trevas que libertam o teor dos sonhos mais íntimos, também libertam os terrores aprisionados nos corações.Esse é o caso de Alessandro.
  Numa destas belas noites qualquer, podia-se observar a da janela da casa do jovem Alessandro sua mãe preparando-o para dormir.Tenho medo da noite,dizia ele.A mãe apenas sorriu ,deu-lhe um beijo de boa noite e despediu-se,levando a luz do quarto consigo.
  Passada a primeira hora,o garoto atolado em seus mais temerosos devaneios quando viu passar pela janela um vulto de origem duvidosa.Certamente que Alessandro fora consumido por uma enxurrada de medo,mas que logo sanou-se ao avistar uma árvore com galhos que dançavam ao vento.
  Na segunda hora,ela ainda não havia alcançado o estado de sono ,devido às suas psicoses noturnas; que acabavam de ser reforçadas ao reparar um par de olhos fixos observando pelo canto escuro da sala...Queria correr para fechar a porta,mas só fez se esconder-se sob suas cobertas,e quando as ergues novamente,a sinistra imagem já não estava lá...Então praguejou em silêncio por suas ilusões noturnas e falta de sono.
  Alcançando a marca da terceira hora, já havia dormido desde o último susto,quando acordou de súbito com a sensação de algo por trás...Virou-se lentamente,com as batidas cardíacas contrastando com a calma do momento e no ponto que lançava seus olhos à figura...Aliviou-se,era sua mãe.Mas por que vestida em uma capa àquela hora ? Retomou suas expectativas de alerta e sentiu o sangue esfriar quando viu uma lâmina brilhante nas mãos dela e seu rosto semi tapado por uma capuz escorria lágrimas...Não de tristeza...De arrependimento.
  Um "me perdoe" ecoou lânguido dos lábios dela antes que enterrasse sua faca fria no peito da criança,que não gritou,não suspirou,não falou.Só sentiu o terror frio.

sábado, 18 de maio de 2013

Ode.


  Sinceramente, o que devo eu dizer ?
Não conheço os luxos da beleza grega,e quem dera ter nascido virado ao mar Egeu.
Nunca sequer sonhei com as formas das musas,e me inspirei ensandecido em seus caprichos...
Realmente nunca vi nada disso...Mas já vi-te , minha bela.

Já acompanhei tuas suaves formas da face desenharem um sorriso tão arrebatador , e me entreguei à surdina da sua vontade.
Mal soubeste você que desenho uma Deusa,e talvez a seja; fingindo em segredo que cada estrela no céu se desespera para aparecer como companhia do seu caminhar, e quando você sorri à elas dá-lhes a esperança de um dia agradá-la.
Que sejam pilhas da minha tolice...
...Mas é assim que te vejo.

domingo, 21 de abril de 2013

Indecisione.

" O caminhar da fera não assusta a caça.Os passos são suaves e naturais, os olhos da besta são tão fixos quanto vacilantes e seu jogo de assassinar é tão preciso quão a mais bem ensaiada das valsas, embalado pelo ritmo frenético e místico da natureza.
  A emoção da morte é tão necessário quanto o corpo de sua infeliz vítima martirizado em seus dentes e garras.O último suspiro de um ser mortal é tão sacro quanto sua jaz ida privacidade, e presenciá-lo torna-se tão saboroso quanto o experimentar do sangue quente.
  Mais uma caçada, tão simples como sempre deveria ser, pode acabar-se tornando o tripalium dos infernos.Tola esta fera que decide na mais lúcida de suas faculdades mentais caçar outro predador.
Tem que matar-se para matar.Sacrificar seu corpo são para conseguir seu troféu de caça e recurso de sobrevivência.
  Então do que vale essa empresa sem resultado ?
  Vale outro sentido,um novo.A descoberta de uma sensação sem precedentes na vida tão monótona. O prazer abrasador da indecisão corrosiva.A razão patética que faz chorar e rir a alma.
  Mas é nas rochas mais duras que se encontram os diamantes,e é essa a razão que faz o sacrifício ter sentido."

I.
  


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Dilectus.

"Das mais profundas trevas saem as luzes."

VOCÊ - Onde estou ? (Acorda em um lugar apático, sem luzes nem escuridão onde o silêncio briga com a loucura,então uma voz te responde.)

VOZ - Me diga o que é você.

VOCÊ - Não sei.

VOZ - Vou te ajudar a descobrir.Então me obedeça. Está vendo aquele fogo que arde sem cessar? Atire-se nele.

(Sem pensar duas vezes você se atira nas chamas... E elas queimam impiedosamente sua carne.)

VOZ - Ótimo. Agora siga por essa trilha.

(Novamente você obedece.)

VOCÊ - Vai demorar pra chegar? ( O cansaço somado às queimaduras incomodam muito.)

VOZ - Já chegamos. 

(Chega em um altar  e logo a voz te pergunta.)

VOZ - Me diga o que você quer ser.

VOCÊ - Quero ser um menino.

VOZ - Então serás uma menina.Agora continue.

(Mesmo cansado, irritado e frustrado você continua.)

VOZ - Sua última provação. Se atire desse penhasco e morra por mim.

(Morto de medo,raiva e dor, você pensa.)

VOZ - Não me decepcione.
 
(Então você pula.)

(Acorda em um altar colossal e voz começa.)

VOZ - Você provou ser fiel.Me odeia ?

VOCÊ - Sim.

VOZ - Mas eu te amei,te amo e sempre te amarei. Agora comece de verdade.

( Quando olha para baixo do altar;vê árvores, pessoas e um rio,então desce e e anda em direção.)

"Alguns só escolhem, outros só obedecem. Uns mais sábios escolhem obedecer." 








sábado, 16 de março de 2013

In Ultimum Piece.


  Agora é por volta da meia-noite, e os sinos da igreja dobram em suspiros melancólicos, como um coro formado por espíritos no auge de suas agonias eternas.A cidade aparenta estar morta, pois o único habitante que vejo é o silêncio que conforta os corações desesperados nas casas.
  Não consigo dormir, pois o sono teima em dançar livre por toda a casa ao invés de me ceder seu deleite : A passagem para o outro mundo, aonde os segredos são regra e ela é cumprida sem resistência.
  Observando pela janela vejo a mais perfeita harmonia de de cinza e branco, estagnando a paisagem e a transformando na valsa da solidão.É isso que se deve esperar de uma cidade dessas.
  Atormentado pela insônia e ensandecido por um chamado misterioso e atrativo, parto de encontro à dança da madrugada sem uma mínima expectativa ou ânsia, sendo guiado apenas pela beleza.
  Agora,no centro nervoso da cidade, sinto o frio me tocar, e como sem precedentes, me sinto sozinho de novo.
  De joelhos já por duas horas em frente à sede da prefeitura me pergunto : Aonde está essa peça que está faltando ?
  

Aonde está a peça que completa a todo nós ?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Mutaris.

"A grande tragédia da existência : a vida.
 O monólogo desprezível da evolução é arte que rege esse caminho.
 Sem fuga, a maneira é a encenação .

A plateia voraz que observa, mas não a arte em si, e sim a grandeza.
Esses homens e mulheres que esquecem que vivem em palco semelhante
Se empertigam aos risos da desgraça do erro.
Enquanto as máscaras do baile detém seus choros.

Motivado pelo primeiro ato, o artista brada suas falas e desafia o mundo,
Sem saber da besta que és o teu observador.
Comédia torna-se tragédia em segundos.

O artista paga pela experiencia com a desolação
E seus amores e esperanças jovens são esmagados pela ilusão.
Pela falsa ilusão,esqueceu que viver é essencial.

No terceiro ato ali estava ela,
Silenciosa como um trovão poético.
Óbvio que o artista se exibiu para ela.
Mostrou mais do que podia,
E o texto ficou fora de controle.

Ela só observou.

No final da peça, ela correu veemente atrás da moça
Mas se esqueceu que vive na companhia do medo.
E matou-se com sua ira.

K.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Lua,Noite,Estrelas.

"E lá vem seu fantasma novamente.
 Não me preocupo,isso sempre acontece.
 Mergulhar nas memórias da paixão é padecer na dor.
 E lá vem a nostalgia...Novamente
 Dançando só na sala da casa e fingindo que minha sanidade ainda vive.
 Agora vejo toda a ferrugem no seu sorriso.
 E lá vem a libido novamente.
 Quão fúteis são os poetas que tentam materializar a sensação...
 Nada se compara ao gélido calor dos teus abraços.

 A tortura finalmente consome minha refinada gota de felicidade.
 Perdido em explicar a existência,
 Assim como o olho que não enxerga a si mesmo.

 Minha cabeça ainda espera sua resposta,
 Recostada no choro de anos de solidão.
 Corro para a loucura ,covardemente.
 Tendo em mente a certeza que nunca serei perdoado nem encontrado,
 Fico admirando o mundo passar devagar,
Como a pintura da Lua,
Da Noite
E das estrelas..."

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Colitur Sola Heros.

"Abandonado.
 Assim se sente quem acorda em meio ao vazio profundo das brumas do coração.
 Olha para os dois lados e só defronta teus fantasmas de decepção.
 Ergue a espada e agita contra o vento imortal.
 Brada sem sentido.
 Caminha durante dias nos pântanos de amargura súbita.
 Chega a um pasto Perene, aonde vês uma árvore ainda frutífera,e crianças ainda brincando    com sua inocência.
 De imediato a cabeça arde e, quando se depara com a visão aterradora da paisagem : O campo destruído e vozes que cochicham e riem em coro perverso, enquanto roça teu braço no corpo de uma criança jaz apodrecida e de corpo desfigurado por ação de Cronos.
 Chora.
 Se lamenta por ser impotente diante de sua carne.
 E a alma se deteriora lentamente enquanto os cães de seu tormento circulam seu amor já dominado pelo medo e pela psicose...A doce defesa da mente.
 Então a morte caminha devagar, aproxima dos olhos vazios e vê a chama que por muito foi   ignorada pelo desejo humano. 
 Desde já a vida tem um sentido...
 ...E esperança.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Acalme-se.

"Envolvido pela expectativa da noite
 E testado pelo frio inexplicável,
 Procuro na silêncio da graça
 A resposta que anseia meu gélido coração.

 Penso em devaneios tão reais
 Quanto a ilusão da verdade,
 Embora eu tenha sido cativado
 Nas curvas de um sorriso tão meigo.

 Tão desconcentrado pela lembrança do toque dos teus lábios
 Erro meus dias para sonhar em minhas noites,
 Que quase esqueço de
 Quem realmente sou.

 Não importa se o julgamento de minha mente
 For a tempestade dos tormentos,
 Você é o maior porto seguro."